Novembro, mês de regressos

As últimas 2 semanas foram de descanso e despreocupação total, sem corridas, sem ginásio, com algumas avarias gastronómicas, o que correspondeu a quase mais 5 kg na balança. Isto para compensar e descansar dos 2730 Km com 95000m de desnível positivo que corri nos últimos 12 meses. Um pouco menos que os 12 meses de 2014, mas também com mais paragens quer para curar algumas mazelas, quer para recuperar dos maiores e mais difíceis desafios que corri em 2015.

Hoje foi dia de regressar aos treinos e começar a preparar o ano de 2016, que certamente trará maiores e melhores desafios.

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Nada melhor para reiniciar os treinos, do que acordar cedinho e ir até Monsanto para a Hora do Esquilo. Para início de conversa foram 10 Km numa hora, com pouco menos de 300m de desnível positivo, e que sinceramente pensei que me iam custar bem mais. Há 8 meses, deste este treino de azarada memória, que não corria na Hora do Esquilo, mas hoje soube bem, soube mesmo muito bem, acordar cedo e desfrutar do bonito amanhecer que hoje foi proporcionado nos trilhos por Monsanto.

Amanhã há mais.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Inveja da boa

Começou a festa.

Melhor, começaram as festas!

Esta semana e as seguintes, concentram um sem número de provas de Ultra Trail tão famosas e interessantes, que se todas elas fossem transmitidas na televisão seria uma espécie de Campeonato do Mundo de Futebol, com provas todos os dias e a todas as horas.

UTMBO interessante aqui, é que há tantos amigos a participar nestas provas que o esforço necessário para as acompanhar e para saber novidades das mesmas é quase mínimo, tal a velocidade da informação que circula pelos mais diferentes meios virtuais.

Ora isto acaba por causar alguma inveja, inveja da boa entenda-se, tal o número de fotos de paisagens e trilhos espectaculares, em lugares remotos, em lugares famosos, com estrelas das corridas…

GRP

É amigos na PT281+, é amigos no Grand Raid des Pyrénées, é amigos já em Chamonix para o Ultra Trail Mont Blanc que começa no final da semana, é amigos a caminho do Tor de Geans, é amigos um pouco por todo o mundo…

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Bem vistas as coisas também eu estou em contagem decrescente para o Ultra Trail Cotê d’Azur Mercantour, em quinze dias lá estarei na partida para o empeno e será a minha altura de causar inveja da boa a alguém.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

II Summer Trail Camp – Dia 1

O primeiro dia do II Summer Trail Camp decorreu conforme o previsto. Estava planeado fazer um treino de cerca de 25 quilómetros, pelo que aproveitámos para seguir o track do trail curto do Estrela Grande Trail organizado pelo Armando Teixeira, que seguia em grande parte a Rota do Carvão e cumpria os requisitos que pretendíamos.

Fomos cinco os que efectuámos este treino, que teve início em Manteigas e começou logo com a famosa subida às Penhas Douradas, onde subimos 750 metros em pouco mais de 6 quilómetros. Seguimos por um trilho muito bonito e verdejante até à Represa de Vale do Rossim que circundámos e, onde aproveitámos para reabastecer aos 11 quilómetros de treino. O dia estava quente, o sol brilhava lá no alto, e esta pausa técnica para reabastecer soube bem. Desfrutar, ainda que por poucos minutos, do espelho de água de Vale do Rossim é sempre de uma satisfação imensa. Seguimos em direcção à Nave Mestra por um trilho inóspito, com muito vegetação rasteira e seca, e algumas subidas e descidas pelos barrocos do maciço central da Serra da Estrela, o que deu alguma emoção ao percurso.

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Represa do Vale do Rossim

A Nave da Mestra encontra-se num local isolado da Serra da Estrela a cerca de 1650 metros de altitude. É apenas acessível pé e é dominado por um colossal bloco granítico. Reza a história, que apaixonado pelo local, um juiz de Manteigas mandou construir na base do grande bloco granítico, em 1910, uma pequena casa de férias. A sua construção foi concretizada pela mão-de-obra vinda de Manteigas em cima de mulas por um caminho que ainda hoje existe, ajudada por macacos hidráulicos utilizados para levantar as gigantes pedras, incluindo aquela que faz de telhado à casa. Esta obra é comprovada pela inscrição que ainda se pode ler na construção principal por cima da porta, “Dr. J.Matos – Barca Hirminius – 1910”.

Nave Mestra

Íamos com cerca de 16 quilómetros de treino e foi aqui que alterámos o rumo do nosso treino, agora novamente em direcção a Manteigas. Tal como até à Nave Mestra, seguimos por um trilho de vegetação rasteira, até chegarmos a uma descida técnica e bastante inclinada que deu muita adrenalina a fazer. Este era o primeiro dia do II Summer Trail Camp e não devíamos abusar, pelo que o ritmo da descida foi “moderado” a poupar para os dias seguintes, mas imagino o pessoal no EGT a fazer esta descida a “abrir”, deve ter sido brutal! Por aqui já conseguíamos desfrutar a paisagem do Vale Glaciar do Zêzere e de alguns pontos já avistávamos Manteigas. Terminada esta descida, corremos mais umas centenas de metros, e somos brindados com outra descida acentuada, bastante técnica pelo meio de barrocos, pinhas e caruma, que acabou por nos levar ao Vale Glaciar a caminho de Manteigas, onde terminámos o nosso treino.

Os 5 Magníficos

 

 

Em resumo foram 27,6 quilómetros neste primeiro dia, com pouco mais de 3000 metros de desnível acumulado, que foram percorridos em ritmo moderado em cerca de 4 horas. Para os curiosos o percurso efectuado neste primeiro dia está disponível clicando aqui.

Um obrigado especial ao Bruno, ao Rui, à Fátima e à Nia, por terem contribuído com energia para este empeno.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

II Summer Trail Camp – O início

A ideia do Summer Trail Camp surgiu o ano passado, com a minha necessidade de treinar com maiores desníveis em montanha antes dos desafios que pretendia concluir com sucesso, nomeadamente o Grande Trail Serra d’Arga e o Arrábida Ultra Trail. O desafio foi colocado à última hora, e em 2014 fomos apenas dois a realizar o Summer Trail Camp. Este ano, apesar de ter sido eu o único a completar os pouco mais de 188 Km de treinos na semana do Summer Trail Camp, foram 18 os participantes que em um ou mais dias passaram pelos treinos do Trail Camp, um aumento de 900% face a 2014.

A edição deste ano teve novamente base no Skiparque, que reúne todas as condições para uma semana de treinos em montanha, conjuntamente com muita descontracção, ar puro, praia e boa onda entre amigos. A semana ficou igualmente marcada pelos fogos no Parque Natural da Serra da Estrela, que apesar de se encontrarem longe do Skiparque e nunca nos terem colocado em risco de segurança, acabaram por limitar alguns dos percursos que tinha inicialmente definido, acabando apenas por fazer uma subida à Torre em vez das duas programadas. Mas, quando se está preparado para reagir a estes imprevistos, tudo acontece naturalmente e o Summer Trail Camp acabou por contemplar na mesma cerca de 188 quilómetros de treino e 19000 metros de desnível acumulado, tendo sido uma semana de treinos muito importante, para mim e para outros participantes, na preparação para os desafios que se avizinham.

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Foi interessante constatar, que para além do grupo do Summer Trail Camp passaram pelo Skiparque pelo menos mais 3 grupos de pessoal que foi treinar para os trilhos da Serra da Estrela, aproveitando assim alguns dos bonitos recursos naturais que o nosso país tem para dar.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Rota Vicentina: Vila Nova de Milfontes – Almograve

No final do trilho à chegada a Milfontes tinha o Rui e Sandra à minha espera. Enquanto corri de Porto Covo a Milfontes, estas duas “peças” foram beber café e encheram-se de bolas de Berlim para “ganharem força” para o início da primeira etapa para eles, verdadeira comida de atletas. No entanto o trilho propriamente dito termina pouco antes da Praia do Porto das Barcas e daí até ao fim do percurso desta etapa faltam ainda cerca de três quilómetros, entre estradão e novas zonas em fase de urbanização, o que leva a que o percurso tenha algumas falhas na marcação nesta zona, mas como tinha o track no relógio foi pacífico não me perder. Cheguei assim ao centro de Vila Nova de Mil Fontes, onde tive oportunidade para reabastecer os bidons com água e sentar-me para tirar dois quilos de areia que transportava no interior dos ténis.

Vila Nova de Mil Fontes estava em festa e na foto em baixo ao meu lado, está uma das muitas personagens que se encontravam espalhadas por diversos pontos da vila.

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Entretanto o Rui e Sandra juntam-se de novo a mim, desta vez prontos para iniciarmos esta etapa. Ultimas verificações de material e lá vamos nós a correr em direcção ao Almograve.

Os primeiros 2,5 quilómetros deste percurso são percorridos em alcatrão, pelo centro de Vila Nova de Mil Fontes e pela estrada Nacional, o que requer atenção redobrada por causa do trânsito. Atravessada a ponte sobre o Rio Mira, faltam ainda 500 metros até se chegar a um portão que, uma vez cruzado, nos dá acesso ao trilho deste percurso. Existiam diversos avisos para termos cuidado com o gado neste troço entre o portão e a praia das furnas, mas desta vez não tivemos nenhum encontro com algum bicharoco.

O troço até à praia das furnas é em estradão pode fazer-se a bom ritmo e, chegados à praia das Furnas, aproveitou-se para observar a bonita Vila Nova de Milfontes da outra margem do rio e recuperar algum folego. Este troço são mais 2,5 quilómetros e termina com uma subida em alcatrão, que nos indica a saída da praia e nos leva até à entrada de novo trilho pela arriba da falésia. Os cerca de 10 quilómetros que nos separam de Almograve serão agora percorridos sempre em trilho junto à falésia. A principal surpresa foi a de que, excepção feita aos cerca de 500 metros do perímetro de rega do Mira, todo o restante percurso era bastante arenoso e com passagem por diversas dunas de areia, o que obviamente dificultava a progressão.

O perímetro de rega do Mira tem área enorme, mas o extremo onde passamos permite apenas vislumbrar uma área de mais ou menos 500m x 200m. Nesta altura estava apenas com relva e fazia lembrar três ou quatro campos de futebol lado a lado com uma relva verde e bonita. Como não havia placas para não pisar a relva, corri este troço muito bem por este manto verde e fofo .

rv_etapa2Entretanto surgiu a fome, e meti o meu “gel” de pão, queijo e presunto para refuel.

As paisagens ao longo da falésia são muito bonitas e quase sempre com o mar azul como pano de fundo. Mais uma vez avistam-se uma quantidade de praias enorme. Desde a Praia das Furnas contei pelo menos a Praia da Angra do Cozinhadouro, a Praia da Angra do Navio de Trigo, a Praia do Cavalo, a Praia do Brejo Largo, a Praia dos Picos, a Praia da Angra do Travesso, a Praia da Angra das Melancias e a Praia da Foz dos Ouriços, como dá para perceber há muito para descobrir ao longo do percurso.

Ao longo desta etapa cruzámo-nos com bastantes caminheiros, na sua maior parte estrangeiros, e pelo que percebemos de países francófonos. É uma pena os portugueses não terem estes hábitos de passear e desfrutar a natureza, ainda para mais com zonas tão bonitas, e muitas delas bem marcadas, para o fazer ao longo de todo o país.

A Praia da Foz dos Ouriços era a última praia antes da chega a Almograve. Nesta zona há duas rotas que partilham o mesmo percurso, a Vicentina que estávamos a fazer e outra de que não me recordo o nome. A Rota Vicentina segue um trilho um pouco mais longo que circunda Almograve, enquanto a outra rota segue um trilho mais directo para a vila. Seguimos o nosso percurso e eis que chegámos a Almograve.

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Nova paragem técnica, desta vez num dos cafés da vila, onde pudemos reencher os bidons, comer mais uma sandocha e beber uma jola fresquinha. Foi tempo também para pensar na questão logística de como regressar a Vila Nova de Milfontes, local onde tinha ficado o nosso carro, e nos 22 quilómetros que nos faltavam até à Zambujeira do Mar.

Mas estas histórias já vão ser num outro artigo.

A primeira parte desta aventura pela Rota Vicentina esta está disponível clicando aqui, e a história da etapa Porto Covo – Vila Nova de Milfontes está disponível clicando aqui.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Ainda o Andorra Ultra Trail

Um dos Portugueses que participou na Andorra Ultra Trail, mais precisamente nos 170 quilometros da Ronda del Cims, foi o meu amigo e Capitão de equipa na aventura solidária Toca a Todos: João Colaço.

Este ano foi o melhor português ao terminar a Ronda del Cims na 19º posição, mas ainda assim o final teve um trago ligeiramente amargo pela falta de fairplay de dois outros atletas, que aproveitaram um erro do João para o passarem mesmo no fim da prova. O “espírito do trail” contradiz de todo este tipo de atitudes, mas sendo o Trail Running uma disciplina cada vez mais competitiva e com um número de praticante a crescer enormemente todos os dias, não me espanta nada que o “espírito do trail” comece cada vez mais a rarear por esses trilhos fora.

Fica aqui o testemunho do João Colaço ao Jornal de Leiria.

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NOTA: Imagem retirada do facebook do João Colaço, com o artigo publicado no Jornal de Leiria

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Trail da Salamandra CV

Já não ia ao Trail da Salamandra desde a sua edição número 100. Na passada quinta-feira foi a edição 105 pelo que passaram apenas cinco semanas, mas parecia-me que não ia à Salamandra há já uma eternidade.

salamandra CV2Desta fez foi um treino soft, mas com direito a uma dose extra de vento que teimava em contrariar a direcção da corrida, o que criou alguma dificuldade adicional ao treino. Valeu a temperatura amena da noite que, mesmo com vento, não deixou que o frio se fizesse sentir como nas típicas noites da Serra de Sintra.

O misticismo que se sente a correr à noite pela Serra de Sintra, continua a ser uma sensação indescritível.

Para a semana há mais.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!