Resumo dos Meses de Janeiro e Fevereiro

O início deste ano foi dedicado a continuar a preparar a participação na Maratona de Sevilha, mas o mau tempo que se fez sentir durante Janeiro aliado a alguma preguiça para treinar, não ajudaram em nada este objectivo. Além dos treinos habituais, os únicos destaques de Janeiro são os dois treinos longos que fiz e a participação no Grande Prémio do Fim da Europa.

Ainda assim para a história do mês de Janeiro ficam os seguintes números:
Contagem: 13 Actividades + 1 Prova
Distância: 245.60 km
Hora: 26:47:50 h:m:s
Ganho de elevação: 6,625 m
Velocidade média: 9.2 km/h
Cadência média de corrida: 83 ppm
Calorias: 14,442 C
Já Fevereiro foi o mês da Maratona de Sevilha. Os treinos diminuíram em quilometragem mas a intensidade aumentou um pouco. O mau tempo continuou por Lisboa e a preguiça para treinar também não abandonou estas paragens.
Como resultado ficaram estes números:
Contagem: 12 Actividades + 1 Prova
Distância: 169.75 km
Hora: 15:29:38 h:m:s
Ganho de elevação: 1,797 m
Velocidade média: 11.0 km/h
Cadência média de corrida: 83 ppm
Calorias: 15,445 C
O resultado da Maratona de Sevilha foi menos bom, apesar de ter ido em bom ritmo até aos 30 Km.
Agora e até Agosto o objectivo é preparar o melhor possível as provas de Trail em que irei participar. Por esse motivo as provas de estrada não vão estar nos meus horizontes e, a participar em algumas, será mesmo em ritmo de treino e apenas para dar quilómetros às pernas. Para o segundo semestre do ano, ainda terei de pensar e definir objectivos.
Continuação de bons treinos e boas provas!!!

Maratona de Sevilha 2014

Esta maratona, a XXX de Sevilha, não foi tão bem preparada em termos de treino como outras do ano passado, mas longe estaria eu de pensar que me fosse correr tão mal.

O dorsal e a medalha final
Dias antes dizia eu meio a brincar que o objectivo era fazer melhor que a estreia no ano passado, e a realidade é de que esse foi efectivamente o único objectivo conseguido. Em termos práticos tirei 14 minutos ao tempo da Maratona de Sevilha de 2013, mas também fiquei a 18 minutos do meu melhor tempo na maratona, obtido no Porto há três meses atrás. 

A minha mente estava consciente de que o treino não tinha sido o melhor e que dificilmente iria bater as 3h44 do Porto, mas o objectivo íntimo seria conseguir algo entre as 3h45 e as 3h55, conforme o que fosse sentindo durante a corrida. Aliás essa era a única estratégia que tinha delineado para esta prova: ir correndo dentro das minhas possibilidades conforme me fosse sentido.

Acordei bem-disposto com o despertador às 6h00 e tomei o pequeno-almoço dentro do habitual em dias de corrida. Fui para a zona da meta na esperança de encontrar muitos dos amigos que também estavam em Sevilha para correr a maratona, mas acabei por me cruzar apenas com um ou dois, no meio da enorme multidão de atletas, cerca de 9000. Acabei ficando com o José Santos para a partida, o qual fez o favor de desaparecer assim que a prova começou, tal era o ritmo a que ia, bem forte de mais para as minhas pernas. Este malandro acabou por terminar com 3h14, um excelente resultado. Parabéns Zé! Voltando à minha corrida, lá fui os quilómetros iniciais sozinho e num ritmo razoável, cruzando-me aqui e ali com algumas caras conhecidas. Aos 2 Km passou por mim o balão que indicava 3h00. Aquele não era de todo um ritmo para mim e não foi nada que me deixasse preocupado. O balão que indicava 3h30 também passou por mim entre os quilómetros 9 e 10 o que também não me deixou preocupado, pois não era esse a meta que tinha destinado para mim. Por esta altura também passo pela Ângela Costa que está a comentar com o Rui Alegre: “…não vem ninguém para as 3h30…” e nem me viram passar por eles! Serviu para me ir a rir divertido até uns metros mais à frente onde estava a minha mãe a apoiar-me com a bandeira de Portugal com o meu nome. Mais um forcing e mais uns metros corridos, e entretanto cruzo o check point dos 10 Kms em 00:51:49, o que dava um ritmo médio de 5:11/km e uma estimativa de terminar abaixo das 3h40. Ia bem, sentia-me bem, mas sem nunca me esquecer da velha máxima da maratona: se te vais a sentir cansado abranda, se te vais a sentir bem abranda. Ia eu com estas contas e pensamentos, e começo a ouvir atrás de mim: “Embora Nuno Gião, chegou o balão das 3h40”; e lá vinha o Luís Boleto com mais uns amigos a correr para as 3h40. Não foi preciso insistirem muito e lá fui com eles. Afinal o ritmo que levavam era igual ao meu e eu até estava tranquilo e a sentir-me bem, e assim fui com eles até ao quilómetro 20, altura em que o Boleto acelerou mais um pouco e não consegui acompanhar o ritmo. Ainda assim ia completamente dentro do ritmo para as 3h40. Passo a meia maratona e recebo o primeiro sinal do que estaria para vir. Estava algum calor, bebia sempre um pouco de água em todos os abastecimentos, mas parecia que a água que bebi não circulava e acabava por se acumular no intestino. Comecei aqui a sentir dores de barriga, que incomodavam o suficiente para não conseguir manter o ritmo que levava até então. Na Maratona de Lisboa já tinha padecido de um problema análogo. No entanto após 3 ou 4 quilómetros a correr e a conseguir libertar uns “gazes” pelo caminho essas cólicas passaram e consegui ir até ao fim sem parar. Estava na esperança que desta vez o processo fosse igual, no entanto estava difícil de conseguir libertar o tal “gás”. Por volta dos 22/23 Km fui apanhado por dois amigos do Banif/Açoreana que iam no grupo inicial com o Boleto e que entretanto tinham ficado para trás. Fui com eles mais uns quilómetros até perto do Km 25, mas as dores de barriga não só não passavam como teimavam em aumentar, pelo que decidi abrandar mais um pouco para acalmar a “tripa” e decidi que iria tentar ir à casa de banho que existiria no quilómetro 30. A decisão de parar durante uma corrida por um motivo tão estupido como ir aliviar a tripa é sempre uma decisão muito difícil, pelo que entre o quilómetro 25 e o 30 não sei o que me custou mais, se aguentar correr sem me infligir estragos maiores ou ter de decidir “mesmo” parar aos 30 quilómetros. Foi assim nestes pensamentos, que após 2h41 de corrida cruzo o check point dos 30 Km olho para a direita, observo que a casa de banho até está livre e decido entrar.
Quase no fim, a chegar ao Km 38. Foto do Rui Alegre.

Interlúdio

Pertenço ao grupo de pessoas que muito dificilmente utiliza uma casa de banho que não seja de “confiança”, mas já por meia dúzia de vezes tive usar por motivo de força maior estas casas de banho químicas que disponibilizam antes e durante as provas. Ainda assim sou esquisito e tento encontrar uma que esteja mais decente que as outras. Tinha chegado não um motivo de força maior mas ante “o” motivo de força maior, e a escolha era reduzida a uma opção pelo que entrei na opção disponível. Primeiro (e estupido) pensamento: “o gajo que vier a seguir  vai pensar que fui eu que caguei isto tudo”, tal era o estado do meu predecessor que nem sequer conseguiu acertar no buraco, digamos de tamanho normal, onde qualquer pessoas normal se sentaria normalmente. Estes WC também são denominados de WC químicos, e se calhar o tipo, apesar da altura considerável que vai

Maratona dentro da maratona…

entre a sanita e os “químicos” propriamente ditos, deve ter medo que algum calhau caia com mais força, provoque uma onda, e os químicos lhe acertem em algum local mais sensível… Pensamentos estúpidos ultrapassados, foi altura de baixar o calção e fazer uma ginástica para em semi agachamento ter melhor pontaria que o palerma anterior. Entretanto a cabine do dito WC começa a abanar e por momentos, pareceu-me que estava a fazer surf, com os calções nos tornozelos e que aquela porcaria que se ir virar a qualquer momento. Aí é que a merda se ia mesmo entornar!… Calções nos tornozelos, pontaria afinada, e não é que as dores de barriga que me incomodaram fortemente nos nove quilómetros anteriores não queriam expelir nada de nada, nem um gaz mínimo para amostra e que justificasse tão incómoda paragem?! Foram 2 ou 3 minutos assim, e decido desistir, vou agacho-me mais um pouco para puxar os calções para cima e voilá a magia aconteceu! Aconteceu mas foram artes mágicas lentas. Foi uma eternidade de 5 ou 6 minutos até libertar toda a magia que havia em mim. Abro a porta, saio do WC dito químico, entra outro aflito para o meu lugar. Imagino que o gajo pensou: “Este cab&%# cagou isto tudo”, mas a culpa não foi minha…

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De volta à corrida já com esta definitivamente estragada, mas bem mais leve apesar de ainda com um incómodo no intestino, tentei recuperar o ritmo que levará até aos 30 Km. Se lá conseguisse chegar de novo, ainda terminaria a prova com menos de 4h00, o que não sendo bom, seria uma boa marca com tanta peripécia pelo meio. O relógio aponta novamente 5:11/km de ritmo, mas a tripa começa a dar novamente sinal agraste. Abrando o ritmo e a tripa abranda o seu sinal comigo. Andámos os dois neste jogo por mais uns quilómetros, mas sempre que bebia mais águas, as cólicas aumentavam de novo, e decidi que a tripa vencesse esta batalha, mas não iria de certeza vencer a guerra. Anuí em baixar o ritmo para níveis que nem tinha pensado antes da prova, cheguei mesmo a parar por 4 ou 5 vezes para fazer alguma ginástica abdominal, mas fui correndo até ao final. Chegado ao fim do quilómetro 41, cancelei todas as negociações que existiram até então com a tripa, e acelerei até à meta, terminando os 200 metros finais já na pista do Estádio Olímpico com um sprint forte para mostrar à tripa quem é que manda. No final terminei com 4h02:20, descontando os cerca de 7 minutos que estive na box, daria um tempo líquido na casa das 3h55 o que face às circunstâncias nem foi mau.

Resultados parciais e final


Em resumo e mesmo com esta casualidade menos boa, foi uma boa corrida, muito animada, com público a assistir, a aplaudir e a incentivar os atletas do início ao fim da prova, e que continua com uma relação qualidade/preço muito muito boa, face a toda a organização com que somos presenteados.

Não correndo o risco de me esquecer de alguém, quero agradecer e dar os parabéns a todos aqueles com que partilhei treinos e momentos na preparação para Sevilha e que estiveram igualmente este Domingo em Sevilha para correr ou só para acompanhar outros atletas. Um abraço especial ao Camané, ao João Veiga e ao Pedro Pisco, que cumpriram mais uma jornada com tempos canhão, com 3 horas e 7, 14  e 20 respectivamente.



Continuação de bons treinos e de boas corridas!!!



Next stop: 50 Km do Ultra Trail do Piodão

Maratona de Sevilha 2014 – Está quase

Há um ano atrás imperava por aqui uma espécie de ansiedade. Faltava pouco menos de uma semana para a estrei numa Maratona, os treinos mais longos tinham corrido bem mas sem ultrapassar os 34 Km, e a vontade para terminar os 42 Km e fazer uma boa prova era mais do que muita.
Em 2013 na minha estreia na Maratona, foi assim 🙂
Este ano irei repetir de novo a Maratona de Sevilha, mas consciente de que a preparação para esta prova não foi a mais adequada. Razões de ordem diversa motivaram que os treinos para esta prova não fossem os melhores, e assim o objectivo inicial de treinar para correr os 42 Km em menos de 3h30 está completamente posto de parte. Vai ser uma prova em ritmo de passeio, sem a “pressão” de correr para bater recordes pessoais, e no fim logo se verá o resultado. Mais depressa ou mais devagar uma coisa será certa, irei desfrutar o percurso e divertir-me bastante durante a corrida.


A todos os amigos, e são muitos, que também vão à Maratona de Sevilha, desejos de muito boa sorte e divirtam-se!!! 😉

42 Erros da Maratona – Parte II

Se leram a publicação 42 Erros da Maratona que publiquei aqui, apresento agora as justificações para os erros apresentados bem como a minha opinião pessoal, (de acordo com a minha experiência na preparação para a minha primeira maratona).
1 Treinar pouco
É muito difícil enfrentar uma maratona com êxito sem ter treinado um mínimo de 12 semanas, com três treinos por semana. Quanto mais se correr e treinar melhores serão os resultados.

Maratona de Sevilha 2013
Concordo com a explicação. Comecei a preparar a minha primeira maratona a 14 de Setembro de 2012 sendo a data da prova 24 de Fevereiro de 2013. Foram portanto 23 semanas de treino, geralmente com 5 ou 6 treinos por semana. Depois de terminar a maratona fiquei com a sensação de que devia ter treinado mais e melhor.

2 Treinar em excesso
É muito comum entre os atletas mais entusiastas treinar muito mais do que o seu organismo é capaz de assimilar. Nestes casos a única coisa que se consegue é sobretreinar-se e com isso render por baixo das suas possibilidades na maratona. Pior do que isto, é que geralmente ultrapassado o limite, necessitam-se vários meses para recuperar a melhor forma.

Concordo com a explicação. Se não conhecermos os nossos limites podemos cometer o erro de puxar demais por nós e deitar semanas de treino a perder. O meu limite de treino seria nesta altura de +-65 quilómetros/semana. Na última semana de Dezembro, entre treinos e provas corri mais de 90 quilómetros, reflectindo-se este excesso de treino durante as primeiras três semanas de Janeiro, em que claramente senti que não conseguia treinar com o entusiasmo e intensidade dos meses anteriores. Felizmente ainda consegui recuperar a tempo.

3 Fazer poucos quilómetros
Preparar uma maratona requer treinar um mínimo de quilómetros por semana, caso contrário é muito difícil terminá-la (se é a primeira maratona que corres) ou fazer o tempo pretendido se és um atleta mais experiente. Como mínimo há que treinar três dias por semana e correr mais de 35 quilómetros.

Concordo com a explicação. Nas 23 semanas de treino que fiz de preparação para a maratona, corri uma média de 60 a 65 quilómetros por semana. Cada um deverá achar o seu tecto de quilómetros confortável, mas penso que será difícil terminar uma maratona (especialmente se for a primeira) correndo menos de 35 quilómetros por semana.

Terminar uma maratona é isto:


4 Fazer treinos demasiado longos numa só sessão

As sessões de treino demasiado longas, de mais de duas horas e meia, se se realizam com regularidade várias vezes antes da maratona, prejudicam mais do que beneficiam. Poderão bloquear o fígado e, com isso, a capacidade de assimilação de treinos do organismo.


Dou o benefício da dúvida. O plano de treinos que cumpri para preparar a maratona contemplava pelo menos mais três treinos longos do que aqueles que realizei. Não os fiz por motivos pontuais que surgiram na altura, e como tal não tenho experiência para constatar a causa/efeito indicada. Ainda assim, os três treinos longos que fiz, de 26, 29 e 32 quilómetros pareceram-me suficientes.


Em breve publicarei as partes seguintes.

Qual a vossa opinião e experiência pessoal a preparar uma maratona? Deixem aqui o vosso comentário ou na nossa página do Facebook aqui.

42 Erros da Maratona

Na Maratona de Sevilha de 2013 foi distribuída pela organização uma revista com toda a informação da prova e alguns artigos interessantes. Um dos artigos que me chamou à atenção, talvez por ser a minha estreia na distância, foi o 42 Erros da Maratona. Este artigo resume muito bem muitas das máximas que por aí se dizem nos mais diversos fóruns e publicações, e podem ser uma ajuda preciosa a quem pensa começar a treinar para correr a maratona. Na minha opinião estes erros são comuns a qualquer corrida mais longa, digamos de Meia Maratona para cima, pelo que devem estar sempre na nossa mente.
Então aqui ficam os 42 erros mais comuns:

Treinos de Corrida
1 Treinar pouco
2 Treinar em excesso
3 Fazer poucos quilómetros
4 Fazer treinos demasiado longos numa só sessão
5 Trocar a planificação ou método de treino a meio da preparação para a corrida
6 Correr as séries curtas demasiado depressa
7 Correr sempre depressa
8 Recuperar demasiado entre séries
9 Ir ao limite nos treinos
10 Fazer muitos treinos em superfícies inadequadas
11 Excesso de competições antes da maratona
12 Não competir antes da maratona

Treino Complementar
13 Não fazer alongamentos
14 Não fazer abdominais
15 Descansar pouco
16 Não fazer exercícios de tornozelos
17 Não fazer exercícios com pesos
18 Sofrer nos treinos

Eu e João Vargas depois de terminarmos a Maratona de Sevilha 2013


Psicologia e Lesões
19 Não ter os objectivos claros
20 Não saber qual é a marca real a que se pode aspirar
21 Obsessão com a marca a realizar
22 Não adaptar os treinos à sua própria realidade
23 As posturas incorrectas do quotidiano também podem causar lesões
24 Falta de recuperação após uma lesão

Alimentação
25 Pouca hidratação durante os treinos
26 Hidratar-se pouco ou em excesso durante a corrida
27 Não tomar o pequeno-almoço antes da maratona
28 Alimentação pouco variada
29 Querer perder peso para correr mais



Equipamento
30 Estrear os ténis na maratona
31 Estrear as meias na maratona
32 Não usar vaselina nas axilas, virilhas e mamilos (homens)
33 Usar vestuário inadequado
34 Competir com ténis demasiado leves

Durante a Maratona
35 Tomar gel ou ampolas de assimilação rápida na maratona
36 Dar mudanças de ritmo na maratona
37 Correr a primeira parte mais rápida do que a segunda
38 Não adaptar-se ao clima do dia da corrida
39 Correr a maratona sem estar motivado
40 Competir a maratona constipado
41 Competir a maratona lesionado

42 Não descansar depois da maratona