Subir a montanha

Faltam 9 dias para iniciar a minha ultima grande aventura de 2015, os 112Km do UTAX.

Já aqui me “queixei” que até ao final do ano é correr em modo de serviços mínimos, mas espero ainda arranjar a força nas pernas necessária para completar o UTAX.

Olhando para o perfil altimétrico dos desafios de 2015, aparentemente o UTAX seria aquele que menos preocupações deveria causar, mas no entanto passa-se precisamente o contrário.

O objectivo que defini há cerca de 11 meses atrás foi o de completar três provas acima de 100 Km em 2015. Escolhi para concretizar esse objectivo o MIUT (a amarelo na imagem), o Andorra Ultra Trail Mitic (a castanho) e o Ultra Trail Côte d’Azur Mercantour (a violeta).

E onde entra o Ultra Trail Aldeias de Xisto (a verde)?

altimetria 2015

MIUT, AUT Mitic, UTCAM, UTAX

Pois é, não deveria entrar, mas com a entorse e respectivo abandono aos 31Km do AUT Mitic, o UTAX surgiu como a alternativa de não falhar o objectivo de 2015.

Comparando o perfil das quatro provas, o UTAX até parece fácil, mas não o vai ser de todo. O piso vai ser muito duro, possivelmente muito escorregadio e molhado, o que vai tornar a progressão difícil e obviamente muitas cautelas na corrida.

Por outro lado a recuperação do UTCAM ainda não está completamente concretizada. O plano de recuperação e de treinos não foi o melhor, no curto espaço de tempo entre as duas provas, e a energia nas pernas está longe dos 100%. Sinto-me agora como se estivesse a começar a época, com as dificuldades inerentes a quem recomeça a correr, e a quem ir correr 112 km de seguida parece uma autêntica miragem.

Veremos se a experiência acumulada nas últimas provas vai ser útil na gestão desta corrida e assim consigo chegar ao fim com sucesso.

Até lá são 8 dias de treino de força e recuperação no Kalorias, com algumas corridas à mistura e muita vontade que chegue a hora da partida. O UTAX pode parecer uma brincadeira ao pé das outras, mas não o será de certeza absoluta.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Grande Trail Serra d’Arga 2015

Domingo estive no Grande Trail Serra d’Arga.

Segundo o meu planeamento para 2015 (definido em Novembro de 2014), esta deveria ser a última ultra da época, já em ritmo de passeio e para desfrutar o ambiente. Era esse o meu plano mas o destino quis trocar-me as voltas.

Uma entorse e o consequente abandono na Mitic Andorra Ultra Trail, deitou abaixo o meu objectivo de completar três ultras de três dígitos no ano de 2015. MIUT, MITIC e UTCAM eram os objectivos, e o azar no MITIC “ia” deitando tudo a perder. E agora digo “ia”, porque mais tarde decidi tentar completar o objectivo a que me propus para 2015, tentando finalizar o UTAX.

Os planos são feitos para se mudar, mas quando se tenta planear e preparar uma época de corridas penso que o útil será alterar o menos possível, para que o desempenho possa corresponder ao treino e objectivos definidos inicialmente e, o também esforço logístico tenha o menor impacto na vida pessoal.

Dito isto, Domingo estive no Grande Trail Serra d’Arga.

O Nuno bom queria fazer uma prova em ritmo treino, descansado e sem grande stresses, como último treino longo entre o UTCAM e o UTAX. O Nuno mau, por seu lado, queria fazer uma corrida mais rápida, onde no limite não fizesse pior tempo que na prova do ano passado. Foi assim que comecei a corrida, com esta dicotomia de pensamento.

Soou a partida com a última badalada das 8h00 no sino da Igreja de Dem, e lá fui eu com o restante pelotão lançados à Serra d’Arga.

Confesso que já não tinha grandes memórias do percurso, tinha uma ideia das subidas e descidas, mas já me lembrava de onde exactamente estava o quê. Mas, com o início de cada troço, a prova do ano passado ia-se reavivando na memória e ia-me relembrando de cada momento que vivi em 2014. Subi assim o primeiro troço. O Sr. Ribeiro andava por lá a puxar por atletas e gozava comigo por constatar que ia fazer a prova grande, em vez de recuperar depois do UTCAM. Fui pensando nisso, enquanto o Nuno mau fazia com que puxasse mais um pouco. O ritmo estava razoável mas ia a perder algum tempo face a 2014. A subir não havia problema, mas a descer, num percurso que apela ao ritmo forte e à velocidade, ia a perder algum tempo. Com os problemas que ocorreram no tornozelo esta época, começa agora a reaparecer a confiança para “colocar o pé” e correr sem medo, mas esta ainda não está restabelecida a 100%. O Nuno bom queria acalmar e relaxar um pouco, mas o Nuno mau não o permitia, e foi assim a controlar o relógio que fiz as subidas e descidas até à subida do quilómetro vertical, que subi já com algum cansaço mas sem dificuldade.

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Chegado lá acima, Km 28, aproveitei para refrescar o chapéu e a cabeça que o calor que se fazia sentir era muito. Ia a perder cerca de 20 minutos para 2014 e recomecei a correr rumo a São Gonçalo de Montaria. Seriam 5 Km planos e a descer até lá até que os quadricípites começaram a reclamar do esforço que ia a fazer até ali. Momentos de “porrada” entre o Nuno bom e o Nuno mau. Um queria abrandar e seguir confortável, outro queria continuar no mesmo ritmo… Paragem para reflectir, ouvir o corpo e não dei razão nem a um nem a outro, decidi seguir calmamente até São Gonçalo de Montaria e ficar por ali aos 33 Km, afinal o objectivo do ano ainda está por cumprir e só faltam 3 semanas para o UTAX.

Nunca fico satisfeito quando tenho de encurtar ou abandonar um objectivo, mas a recuperação do UTCAM não foi tão rápida quanto o previa e há que ter a consciência de que não somos imortais. Ficou feito o Grande Trail da Serra d’Arga, desta vez em prova curta de 33Km. A prova em si continua bem organizada e a corresponder ao anunciado, apanágio das provas do Carlos Sá. Foi uma grande festa do Trail e quem não conhece esta prova não perca a edição de 2016.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Ainda o Andorra Ultra Trail

Um dos Portugueses que participou na Andorra Ultra Trail, mais precisamente nos 170 quilometros da Ronda del Cims, foi o meu amigo e Capitão de equipa na aventura solidária Toca a Todos: João Colaço.

Este ano foi o melhor português ao terminar a Ronda del Cims na 19º posição, mas ainda assim o final teve um trago ligeiramente amargo pela falta de fairplay de dois outros atletas, que aproveitaram um erro do João para o passarem mesmo no fim da prova. O “espírito do trail” contradiz de todo este tipo de atitudes, mas sendo o Trail Running uma disciplina cada vez mais competitiva e com um número de praticante a crescer enormemente todos os dias, não me espanta nada que o “espírito do trail” comece cada vez mais a rarear por esses trilhos fora.

Fica aqui o testemunho do João Colaço ao Jornal de Leiria.

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NOTA: Imagem retirada do facebook do João Colaço, com o artigo publicado no Jornal de Leiria

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Quem não vê caras não vê corações

Quem não vê caras não vê corações, e vem isto a propósito da descrição do João Mota da subida para o pico de Comapedrosa no Andorra Ultra Trail (a tal que dava direito ao peso em canja de galinha para o atleta mais rápido a subir). Diz ele a certo momento:

“Seriam 2kms e 1000 mts de desnível positivo. Brutalidade pura.

Do outro lado da montanha esperava-me uma dura e inclinada descida sempre serpenteando pela montanha.

A subida inicia-se num caminho com ervas e acentua-se progressivamente até entrar em pedra solta mas pesada. Muito rugoso, os cuidados tem que ser redobrados. A subida demora precisamente duas horas para fazer estes dois quilómetros.

Sempre, Sempre, Sempre a subir em direção ao Céu.”

(Podem ler o texto completo do João Mota acerca da sua participação na Ronda del Cims, clicando aqui.)

No meu caso particular até demorei um pouco menos de duas horas para completar a subida, mas também ainda não tinha 44 km nas pernas. Na minha prova a subida para o pico de Comapedrosa iniciava aos 15 km.

Curiosamente confesso que não me custou muito esta subida. Ou melhor, custar custou, mas tive duas grandes vantagens face ao João Mota:

1 – Não fui visitar esta “parede” antes da prova;

2 – Fiz esta parte do percurso durante a noite enquanto ele a fez durante o dia.

Comapedrosa

O trilho que fizemos (a laranja) de Pla de L’Estany ao Pico Comapedrosa. Para quê ir dar a volta se podemos ir a direito?… 🙂

O que “ganhei” eu com isso? Não tive o impacto visual de olhar “lá para cima” e ver uma parede interminável para subir.

E pode parecer que não, mas este aspecto meramente psicológico pode fazer alguma diferença na motivação de chegar lá acima. No meu caso sabia que o trilho era sempre a subir e subi, bem podia olhar para cima que apenas via, aqui e ali, umas luzinhas dos frontais de outros atletas. Não tinha de todo a noção da inclinação ou do trilho que havia para subir. A luz do frontal e a inclinação da subida limitavam o meu raio de visão a poucos metros à minha frente, e assim subi até ao topo do pico Comapedrosa, sem grandes expectativas nem preocupações, para o bem e para o mal.

Quem não vê caras não vê corações ou, neste caso, quem não vê trilhos não vê inclinações.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

A primeira decisão para a época de 2016

Está tomada a primeira decisão para a época 2016 que, a bem da verdade, é a segunda.

Trocando por miúdos, o objectivo principal para 2015 seria a participação no Ultra Trail Mont Blanc. Tendo um azar natural em tudo o que não depende do mérito próprio e passa antes por jogos de sorte ou azar como são os sorteios, “naturalmente” não fui sorteado para participar na edição de 2015.

Este passou a ser o objectivo para a época desportiva de 2016, ir correr e desfrutar da mais mítica prova de Ultra Trail do mundo. Pelas regras definidas no regulamento do UTMB, terei no sorteio de 2016, o dobro das probabilidades de ser sorteado relativamente a 2015, na prática é como se tivesse dois bilhetes de lotaria no sorteio em vez de apenas um. No entanto creio que a minha falta de fortuna nestas coisas tem uma forte possibilidade de se continuar a manifestar e que o UTMB ficará lá para 2017, onde caso não tenha sorte no sorteio de 2016, terei entrada directa (isto se até lá não mudarem as regras).

AUT_CompedrosaEsta lenga-lenga toda para chegar à partilha convosco, de que caso a falta de sorte se continue a manifestar para o UTMB, já decidi que em 2016 irei repetir o Andorra Ultra Trail, não no Mitic Ultra Trail, mas desta vez nas 100 milhas mais duras da Europa na Ronda del Cims.

Esta descrição do João Mota (clicar aqui para ler o texto) ilustra excelentemente o que é a Ronda del Cims.

É um desafio brutal e só não é do outro mundo porque é mesmo ali em Andorra.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Mais vale tarde que nunca…

Há uns dias escrevi por aqui que ainda estava de ressaca da minha participação no Andorra Ultra Trail.
Pois bem, é agora oficial que a ressaca acabou. Durou umas semanas valentes é certo, mas já passou.
Esta foi a minha primeira desistência em prova e, na realidade, apesar de me preparar psicologicamente para todos os cenários possíveis durante uma corrida, penso que não estava preparado para ter de desistir. Parece-me que desistir é mais penoso para um comum atleta de pelotão como eu, que vou correr pelo simples prazer de correr, pelo desafio de me superar a cada quilómetro, de conhecer novos lugares e novas pessoas, usufruir de estímulos fantásticos em percursos e paisagens mágicas completamente novas para mim, do que para um profissional que poderá encarar estes desafios como mais uma prova e mais uns quilómetros para o seu meio de subsistência.

É oficial: ressaca curada. Venha o Ultra Trail Cote d’Azur Mercantour

Depois de mais uma consulta no IMT – Instituto de Medicina Tradicional e com a garantia que está tudo no sítio, já regressei aos treinos devagarinho e com muita tranquilidade, mas em contagem decrescente a pensar no próximo desafio que terá início daqui a 53 dias, o Ultra Trail Cote d’Azur Mercantour.
É tempo de treinar com calma e aproveitar o verão, e tentar chegar na máxima forma em Setembro para este desafio.
Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Partida com ópera e fogo de artificio

A partida de todas as provas é sempre para mim um momento muito especial. Seja pelo nervoso miudinho (caso exista) que se dissipa naquele momento, seja pela espectacularidade que algumas delas apresentam.

A partida do Mitic Andorra Ultra Trail faz-se ao som de ópera, entre outras a Carmina Burana do Carl Orff, e de fogo de artificio, tendo sido um momento muito espectacular para mim. Um verdadeiro espectáculo dentro do espectáculo.

A partida da Ronda del Cims foi assim e a Mitic foi muito parecida só que de noite:

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!