XI Maratona do Porto

Há corridas assim, que têm tudo para correr mal e acabam correndo muito bem, ou como diria o meu amigo Vargas, das piores tocas saem os melhores coelhos. Assim foi com a XI Maratona do Porto.

Decidi efectivamente participar na maratona do Porto na Sexta-feira, dois dias antes da prova. Inicialmente a minha participação seria para se resumir a fazer um treino mais longo e fazer de lebre e dar algum suporte a uma amiga que se ia estrear na distância da maratona. Uma lesão de última hora impediu esta minha amiga de participar, ficando eu com a indecisão nas mãos acerca de participar ou não, e depois decidir em que moldes iria fazê-lo. O meu plano de treinos apontava para dois treinos de duas horas neste fim-de-semana, e uma vez que no Sábado a minha agenda estava preenchida profissionalmente decidi mesmo participar na maratona no Domingo. Tomada a decisão de participar defini como objectivo para esta corrida rolar e tentar manter o ritmo de 5:13/Km. O meu principal objectivo é a participação nos 80K do Arrábida Ultra Trail no próximo dia 16, pelo que esta maratona teria forçosamente de ser feita a um ritmo confortável, para não causar um desgaste excessivo que fosse impossível de recuperar em duas semanas. Assim sendo, apesar de há alguns meses não efectuar treino específico para provas de estrada e 5:13/Km ser um ritmo para bater o meu recorde pessoal na distância, com o planeamento e alguma qualidade dos treinos que tenho realizado para as provas de trilhos, pareceu-me um objectivo perfeitamente alcançável. Foquei assim o objectivo em chegar ao fim em 3h40 tirando 4 minutos ao meu anterior melhor.

A boa disposição antes da partida com o Miguel Baptista e o Nélson Marques

Alguns dos rituais que costumo cumprir para estas provas de estrada, ficaram por cumprir. Não encontrei os pensos para o nariz, que me ajudam efectivamente a respirar melhor, e sobretudo esqueci-me de comprar fita anti bolhas para colocar nos dedos dos pés e evitar assim alguns danos colaterais como as famosas unhas negras. Não havia tempo útil ou oportunidade para corrigir estas falhas, pelo que me dirigi para a partida sem pensar muito nisso e disposto a correr sem que tal me afectasse.

A zona da partida da Maratona do Porto é sempre uma festa dentro da festa. Muitas caras conhecidas, muita troca de palavras de motivação com os muitos amigos atletas, muitas fotos e uma enorme nuvem de boa disposição a pairar no ar.

A manhã estava fresca, o sol escondido atrás das nuvens só espreitava esporadicamente, pelo que estava uma excelente manhã para correr. Chegaram as 9h00, soou o tiro de partida e lá fui eu para a minha sétima maratona de estrada. Sentia-me bem e tentei manter um ritmo mais rápido do que o previsto inicialmente para não incomodar muito os aceleras que partiram comigo do bloco A. Quando dei por mim estava a correr a menos de 4:55/Km e continuava a sentir-me muito bem. É certo que ainda só tinha corrido pouco mais de dois quilómetros, mas era um bom prenuncio para o resto da corrida. Entretanto deu-me uma vontade de fazer um xixi. Não era uma necessidade urgente e que me obrigasse a parar, mas antes daquelas vontades pequeninas, que se vão sentindo e que apenas se vão tornando incómodas ao longo do tempo. Mais uma decisão a tomar: parar agora que me sentia bem e libertar-me daquela sensação incómoda, ou esperar mais uma dezena de quilómetros até ser verdadeiramente urgente a necessidade e eventualmente ser mais difícil retomar o ritmo que levava. Optei por parar logo e resolver este assunto. Uma paragem breve, de três dezenas de segundos, mas que pareceram horas e que me fizeram ver afastar o pelotão que seguia o balão das 3h30 onde eu me inseria até então. Feito o xixi retomei o ritmo que me embalava desde o início, abaixo de 5:00/Km, e continuei em direcção a Matosinhos onde cruzei os 10 Km em pouco mais de 50 minutos. Aproveitei a mudança de direcção para a Foz e a descida que aí existia, para acelerar um pouco e ajudar a manter o ritmo abaixo dos 5:00/Km. Por volta do Km 14 o Paulo Taboas chegou-se perto de mim. O seu objectivo era fazer 3h30 e como ia mais ou menos nesse ritmo podíamos ajudar-nos mutuamente. Infelizmente uma mazela reincidiu novamente no seu tornozelo e apenas conseguimos rolar juntos por cerca até perto do Km 17, onde eu continuei e o Paulo teve de abrandar um pouco o ritmo.

Chegado à Foz lembrei-me do Tenente Vilaverde, da sua amada Luísa e de Sebastião Moncada, que terá pernoitado numa estalagem da Foz do Douro nos idos de Junho de 1832. Perguntam-me tantas vezes no que se pensa quando se corre 4, 5, 6 horas seguidas… Dá para pensar em tudo! Neste caso deu para pensar na sorte de alguns dos personagens de um romance que ando ando a ler por estes dias, e que se situa precisamente no Porto por altura das guerras liberais.

 

Segui até à meia maratona, marco que cruzei com 1h44 de prova, altura em que o primeiro queniano cruzava a estrada no sentido contrário já no seu Km 36!!! Continuei a minha prova e atravessei a Ponte D. Luis, passando o cais de Gaia em direcção à Afurada, onde o meu amigo Fernando Pinho lá estava a dar o seu tradicional apoio aos atletas e a filmar as nossas figuras tristes. Um grande abraço para ele.

O percurso da Ponte D. Luis à Afurada e regresso são aproximadamente 9 Km, entre os quilómetros 24 e 33 e foram para mim a pior parte de toda a prova. Por um lado grande parte do percurso é de paralelepípedo o que obriga a fugir para o passeio para não dar magoar tanto os pés, por outro lado foi um trajecto em que quer na ida quer na volta me cruzei com muitos atletas amigos, e os acenos e/ou as trocas de palavras motivacionais que se fazem, fizeram-me perder um pouco o foco na corrida e consequentemente perder um pouco o ritmo constante que levava até então. Na volta da Afurada, perto do Km 28, ainda houve lugar a uns metros de loucura e pura insanidade. O Rui Pedro Julião que foi fazer de lebre a um amigo nesta maratona e até então tinha vindo lá mais para atrás, passou por mim no seu ritmo normal de 3:50/km e gritou “Nuno cola-te a mim e anda”, e eu bem mandado, e aproveitando que era a descer lá fui atrás dele… loucura que durou durante 10 ou 15 metros, altura em felizmente percebi a insanidade do acto que estava a cometer e me remeti ao meu ritmo de corrida.

A chegar à meta e a fugir do Nélson Mota 🙂

Cruzo novamente a Ponte D. Luis e fico satisfeito por só faltarem 9 Km para chegada. Continuava a sentir-me bem, o ritmo estava controlado, e o objectivo que tinha definido para a corrida só não seria batido se acontecesse algum azar. As minhas dúvidas nesta altura da corrida eram entre seguir forte e tentar baixar as 3h30, ou manter um ritmo mais tranquilo e chegar ao fim com um menor desgaste. A decisão a tomar foi rápida: acalmar e chegar ao fim com um menor desgaste. Apesar do bom desempenho com que a prova se desenrolava o meu objectivo continuava a ser treinar para o AUT, não fazia assim sentido desgastar-me muito mais mantendo um ritmo mais forte, sabendo que vou necessitar de todos os meus recursos dentro de quinze dias. Por outro lado estava a utilizar um dorsal cedido pelo meu amigo Vargas, pelo que o resultado oficial também não ficaria no meu nome próprio, o que feitas as contas também ajudou à decisão. Decidi assim acalmar, relaxar um pouco as pernas e seguir perto dos 5:13/Km a que inicialmente me tinha proposto para terminar algures perto das 3h35. Tudo ia tranquilo até que algures perto do Km 41 passa por mim o amigo Nélson Mota todo contente e a chamar por mim. Deu-me um avanço de cerca de 100 e poucos metros e entretanto pensei: “já o ano passado este #$%&=% (amigo) passou por mim no final, este ano não pode ficar assim…”. Fui a marcá-lo à distância até à curva para a subida final para a meta, onde sei que nesses cerca de 1200 metros finais muitos atletas abrandam o ritmo naturalmente com a subida. Quando comecei a subir acelerei o ritmo e apanhei novamente o Nélson em poucas centenas de metros. Aí chamei eu por ele, “Anda Nélson só faltam 600 metros”, liguei o turbo novamente e tencionava ir até ao fim assim, quando a 200 metros da meta apanho o Miguel Baptista que tinha iniciado a prova para tentar as 3h15. Ia já em dificuldade e abrandei para puxar por ele, “Anda Miguel que só faltam 200 metros”, mas ele já não dava mais e lá segui de novo até a meta ultrapassando mais meia dúzia de atletas nos metros finais. Cruzo a linha de chegada nas 3h33’59”, sendo o tempo líquido de chip 3h33’44” um novo recorde pessoal onde tirei quase 11 minutos ao meu anterior recorde. A história não se repetiu e este ano cheguei eu à frente do Nélson por uns segundos.

Chegado ao fim da Maratona do Porto fiquei muito satisfeito com o meu desempenho. Controlando sempre o ritmo e não esforçando nada em demasia, consegui correr abaixo dos 5:00/Km cerca de 32 Km e terminei os 42 Km com uma média de 5:04/Km, bem abaixo dos 5:13/Km que tinha previsto inicialmente.

No final as fotografias da praxe, a medalha, a jola, a t-shirt de finisher e a garrafa de vinho do porto, foram a recompensa para uma bela manhã de exercício.

Como ponto menos positivo os duches que a organização disponibilizou para a prova: Um único chuveiro para mais de 4000 atletas da maratona e a cerca de 1500 metro da chegada. Pergunto eu, se metade dos 4000 atletas decidissem tomar duche logo ali, como é que seria e que imagem passaria para o exterior desta organização? Esta é a prova de que mesmo em organizações consideradas como boas, existem sempre processos e aspectos passiveis de melhoria.

Para fim de festa houve lugar à tradicional francesinha para recompor do esforço da corrida.

Desta vez o Vargas tinha razão, a toca não tinha bom aspecto mas saiu de lá um belo coelho.

Continuação de bons treinos e de boas corridas!!!

Resumo do Mês de Setembro

Após um interregno na escrita que durou quase quatro meses, eis que recomeça tudo aqui, com cara lavada, num blog mais pessoal e mais transmissível, e com a certeza que pretendo afirmar cada vez mais a minha faceta de atleta Ultra Runner.

Setembro foi o mês para retomar os treinos com maior intensidade, à medida que o tornozelo torcido no mês de Junho ia ficando cada vez mais próximo dos 100%, para terminar em beleza com a participação no Grande Trail Serra d’Arga.

 

Grande Trail Serra d'Arga

Grande Trail Serra d’Arga

O mês de Setembro começou com a já tradicional rentrée nas provas após as férias de verão, com a participação na mítica Meia Maratona de São João das Lampas, onde cumpri em ritmo de treino mais uma fantástica organização do amigo Fernando Andrade.

Foi ainda o mês de organizar o Urban Night Trail 2790, onde 23 atletas participaram num espectacular treino pelo carrocel da Serra de Carnaxide.

 

Urban Night Trail 2790

Urban Night Trail 2790

 

Para terminar Setembro nada melhor que estrear-me numa das míticas provas de trail running portuguesas o Grande Trail Serra d’Arga. Foram 53 Km de sobe e desce, cumpridos em pouco menos de 8h30. Uma organização excelente do Carlos Sá, condições atmosféricas que proporcionaram um dia excelente, e um percurso de uma beleza impar, foram factores que tornaram esta uma das provas que me deu mais gozo de fazer.

Danos colaterais

Danos colaterais

 

Para a história do mês de Setembro ficam os seguintes números:

Contagem: 15 Actividades + 2 Provas

Distância: 314,40 km

Hora: 35:57:21 h:m:s

Ganho de elevação: 8158 m

Calorias: 39857 C

 

 

 

 

Continuação de bons treinos e de excelentes provas!!!

Resumo dos Meses de Janeiro e Fevereiro

O início deste ano foi dedicado a continuar a preparar a participação na Maratona de Sevilha, mas o mau tempo que se fez sentir durante Janeiro aliado a alguma preguiça para treinar, não ajudaram em nada este objectivo. Além dos treinos habituais, os únicos destaques de Janeiro são os dois treinos longos que fiz e a participação no Grande Prémio do Fim da Europa.

Ainda assim para a história do mês de Janeiro ficam os seguintes números:
Contagem: 13 Actividades + 1 Prova
Distância: 245.60 km
Hora: 26:47:50 h:m:s
Ganho de elevação: 6,625 m
Velocidade média: 9.2 km/h
Cadência média de corrida: 83 ppm
Calorias: 14,442 C
Já Fevereiro foi o mês da Maratona de Sevilha. Os treinos diminuíram em quilometragem mas a intensidade aumentou um pouco. O mau tempo continuou por Lisboa e a preguiça para treinar também não abandonou estas paragens.
Como resultado ficaram estes números:
Contagem: 12 Actividades + 1 Prova
Distância: 169.75 km
Hora: 15:29:38 h:m:s
Ganho de elevação: 1,797 m
Velocidade média: 11.0 km/h
Cadência média de corrida: 83 ppm
Calorias: 15,445 C
O resultado da Maratona de Sevilha foi menos bom, apesar de ter ido em bom ritmo até aos 30 Km.
Agora e até Agosto o objectivo é preparar o melhor possível as provas de Trail em que irei participar. Por esse motivo as provas de estrada não vão estar nos meus horizontes e, a participar em algumas, será mesmo em ritmo de treino e apenas para dar quilómetros às pernas. Para o segundo semestre do ano, ainda terei de pensar e definir objectivos.
Continuação de bons treinos e boas provas!!!

Maratona de Sevilha 2014

Esta maratona, a XXX de Sevilha, não foi tão bem preparada em termos de treino como outras do ano passado, mas longe estaria eu de pensar que me fosse correr tão mal.

O dorsal e a medalha final
Dias antes dizia eu meio a brincar que o objectivo era fazer melhor que a estreia no ano passado, e a realidade é de que esse foi efectivamente o único objectivo conseguido. Em termos práticos tirei 14 minutos ao tempo da Maratona de Sevilha de 2013, mas também fiquei a 18 minutos do meu melhor tempo na maratona, obtido no Porto há três meses atrás. 

A minha mente estava consciente de que o treino não tinha sido o melhor e que dificilmente iria bater as 3h44 do Porto, mas o objectivo íntimo seria conseguir algo entre as 3h45 e as 3h55, conforme o que fosse sentindo durante a corrida. Aliás essa era a única estratégia que tinha delineado para esta prova: ir correndo dentro das minhas possibilidades conforme me fosse sentido.

Acordei bem-disposto com o despertador às 6h00 e tomei o pequeno-almoço dentro do habitual em dias de corrida. Fui para a zona da meta na esperança de encontrar muitos dos amigos que também estavam em Sevilha para correr a maratona, mas acabei por me cruzar apenas com um ou dois, no meio da enorme multidão de atletas, cerca de 9000. Acabei ficando com o José Santos para a partida, o qual fez o favor de desaparecer assim que a prova começou, tal era o ritmo a que ia, bem forte de mais para as minhas pernas. Este malandro acabou por terminar com 3h14, um excelente resultado. Parabéns Zé! Voltando à minha corrida, lá fui os quilómetros iniciais sozinho e num ritmo razoável, cruzando-me aqui e ali com algumas caras conhecidas. Aos 2 Km passou por mim o balão que indicava 3h00. Aquele não era de todo um ritmo para mim e não foi nada que me deixasse preocupado. O balão que indicava 3h30 também passou por mim entre os quilómetros 9 e 10 o que também não me deixou preocupado, pois não era esse a meta que tinha destinado para mim. Por esta altura também passo pela Ângela Costa que está a comentar com o Rui Alegre: “…não vem ninguém para as 3h30…” e nem me viram passar por eles! Serviu para me ir a rir divertido até uns metros mais à frente onde estava a minha mãe a apoiar-me com a bandeira de Portugal com o meu nome. Mais um forcing e mais uns metros corridos, e entretanto cruzo o check point dos 10 Kms em 00:51:49, o que dava um ritmo médio de 5:11/km e uma estimativa de terminar abaixo das 3h40. Ia bem, sentia-me bem, mas sem nunca me esquecer da velha máxima da maratona: se te vais a sentir cansado abranda, se te vais a sentir bem abranda. Ia eu com estas contas e pensamentos, e começo a ouvir atrás de mim: “Embora Nuno Gião, chegou o balão das 3h40”; e lá vinha o Luís Boleto com mais uns amigos a correr para as 3h40. Não foi preciso insistirem muito e lá fui com eles. Afinal o ritmo que levavam era igual ao meu e eu até estava tranquilo e a sentir-me bem, e assim fui com eles até ao quilómetro 20, altura em que o Boleto acelerou mais um pouco e não consegui acompanhar o ritmo. Ainda assim ia completamente dentro do ritmo para as 3h40. Passo a meia maratona e recebo o primeiro sinal do que estaria para vir. Estava algum calor, bebia sempre um pouco de água em todos os abastecimentos, mas parecia que a água que bebi não circulava e acabava por se acumular no intestino. Comecei aqui a sentir dores de barriga, que incomodavam o suficiente para não conseguir manter o ritmo que levava até então. Na Maratona de Lisboa já tinha padecido de um problema análogo. No entanto após 3 ou 4 quilómetros a correr e a conseguir libertar uns “gazes” pelo caminho essas cólicas passaram e consegui ir até ao fim sem parar. Estava na esperança que desta vez o processo fosse igual, no entanto estava difícil de conseguir libertar o tal “gás”. Por volta dos 22/23 Km fui apanhado por dois amigos do Banif/Açoreana que iam no grupo inicial com o Boleto e que entretanto tinham ficado para trás. Fui com eles mais uns quilómetros até perto do Km 25, mas as dores de barriga não só não passavam como teimavam em aumentar, pelo que decidi abrandar mais um pouco para acalmar a “tripa” e decidi que iria tentar ir à casa de banho que existiria no quilómetro 30. A decisão de parar durante uma corrida por um motivo tão estupido como ir aliviar a tripa é sempre uma decisão muito difícil, pelo que entre o quilómetro 25 e o 30 não sei o que me custou mais, se aguentar correr sem me infligir estragos maiores ou ter de decidir “mesmo” parar aos 30 quilómetros. Foi assim nestes pensamentos, que após 2h41 de corrida cruzo o check point dos 30 Km olho para a direita, observo que a casa de banho até está livre e decido entrar.
Quase no fim, a chegar ao Km 38. Foto do Rui Alegre.

Interlúdio

Pertenço ao grupo de pessoas que muito dificilmente utiliza uma casa de banho que não seja de “confiança”, mas já por meia dúzia de vezes tive usar por motivo de força maior estas casas de banho químicas que disponibilizam antes e durante as provas. Ainda assim sou esquisito e tento encontrar uma que esteja mais decente que as outras. Tinha chegado não um motivo de força maior mas ante “o” motivo de força maior, e a escolha era reduzida a uma opção pelo que entrei na opção disponível. Primeiro (e estupido) pensamento: “o gajo que vier a seguir  vai pensar que fui eu que caguei isto tudo”, tal era o estado do meu predecessor que nem sequer conseguiu acertar no buraco, digamos de tamanho normal, onde qualquer pessoas normal se sentaria normalmente. Estes WC também são denominados de WC químicos, e se calhar o tipo, apesar da altura considerável que vai

Maratona dentro da maratona…

entre a sanita e os “químicos” propriamente ditos, deve ter medo que algum calhau caia com mais força, provoque uma onda, e os químicos lhe acertem em algum local mais sensível… Pensamentos estúpidos ultrapassados, foi altura de baixar o calção e fazer uma ginástica para em semi agachamento ter melhor pontaria que o palerma anterior. Entretanto a cabine do dito WC começa a abanar e por momentos, pareceu-me que estava a fazer surf, com os calções nos tornozelos e que aquela porcaria que se ir virar a qualquer momento. Aí é que a merda se ia mesmo entornar!… Calções nos tornozelos, pontaria afinada, e não é que as dores de barriga que me incomodaram fortemente nos nove quilómetros anteriores não queriam expelir nada de nada, nem um gaz mínimo para amostra e que justificasse tão incómoda paragem?! Foram 2 ou 3 minutos assim, e decido desistir, vou agacho-me mais um pouco para puxar os calções para cima e voilá a magia aconteceu! Aconteceu mas foram artes mágicas lentas. Foi uma eternidade de 5 ou 6 minutos até libertar toda a magia que havia em mim. Abro a porta, saio do WC dito químico, entra outro aflito para o meu lugar. Imagino que o gajo pensou: “Este cab&%# cagou isto tudo”, mas a culpa não foi minha…

¥ ¥ ¥ ¥

De volta à corrida já com esta definitivamente estragada, mas bem mais leve apesar de ainda com um incómodo no intestino, tentei recuperar o ritmo que levará até aos 30 Km. Se lá conseguisse chegar de novo, ainda terminaria a prova com menos de 4h00, o que não sendo bom, seria uma boa marca com tanta peripécia pelo meio. O relógio aponta novamente 5:11/km de ritmo, mas a tripa começa a dar novamente sinal agraste. Abrando o ritmo e a tripa abranda o seu sinal comigo. Andámos os dois neste jogo por mais uns quilómetros, mas sempre que bebia mais águas, as cólicas aumentavam de novo, e decidi que a tripa vencesse esta batalha, mas não iria de certeza vencer a guerra. Anuí em baixar o ritmo para níveis que nem tinha pensado antes da prova, cheguei mesmo a parar por 4 ou 5 vezes para fazer alguma ginástica abdominal, mas fui correndo até ao final. Chegado ao fim do quilómetro 41, cancelei todas as negociações que existiram até então com a tripa, e acelerei até à meta, terminando os 200 metros finais já na pista do Estádio Olímpico com um sprint forte para mostrar à tripa quem é que manda. No final terminei com 4h02:20, descontando os cerca de 7 minutos que estive na box, daria um tempo líquido na casa das 3h55 o que face às circunstâncias nem foi mau.

Resultados parciais e final


Em resumo e mesmo com esta casualidade menos boa, foi uma boa corrida, muito animada, com público a assistir, a aplaudir e a incentivar os atletas do início ao fim da prova, e que continua com uma relação qualidade/preço muito muito boa, face a toda a organização com que somos presenteados.

Não correndo o risco de me esquecer de alguém, quero agradecer e dar os parabéns a todos aqueles com que partilhei treinos e momentos na preparação para Sevilha e que estiveram igualmente este Domingo em Sevilha para correr ou só para acompanhar outros atletas. Um abraço especial ao Camané, ao João Veiga e ao Pedro Pisco, que cumpriram mais uma jornada com tempos canhão, com 3 horas e 7, 14  e 20 respectivamente.



Continuação de bons treinos e de boas corridas!!!



Next stop: 50 Km do Ultra Trail do Piodão

Maratona de Sevilha 2014 – Está quase

Há um ano atrás imperava por aqui uma espécie de ansiedade. Faltava pouco menos de uma semana para a estrei numa Maratona, os treinos mais longos tinham corrido bem mas sem ultrapassar os 34 Km, e a vontade para terminar os 42 Km e fazer uma boa prova era mais do que muita.
Em 2013 na minha estreia na Maratona, foi assim 🙂
Este ano irei repetir de novo a Maratona de Sevilha, mas consciente de que a preparação para esta prova não foi a mais adequada. Razões de ordem diversa motivaram que os treinos para esta prova não fossem os melhores, e assim o objectivo inicial de treinar para correr os 42 Km em menos de 3h30 está completamente posto de parte. Vai ser uma prova em ritmo de passeio, sem a “pressão” de correr para bater recordes pessoais, e no fim logo se verá o resultado. Mais depressa ou mais devagar uma coisa será certa, irei desfrutar o percurso e divertir-me bastante durante a corrida.


A todos os amigos, e são muitos, que também vão à Maratona de Sevilha, desejos de muito boa sorte e divirtam-se!!! 😉

Resumo do mês de Novembro

Novembro já é história. Comecei por bater o meu record pessoal na Maratona e terminei em modo treino e relax, com poucos treinos e intensidade, para relaxar um pouco o corpo e a mente e permitir-me treinar em Janeiro e Fevereiro com maior carga e intensidade, rumo à Maratona de Sevilha.
 
 


No final da Maratona do Porto com o Bruno e o Vargas

Comecei Novembro com 3h44m22 na Maratona do Porto, atingindo assim o objectivo pessoal de terminar abaixo das 3h45 de corrida. Na semana seguinte aproveitei para ir passear até à Meia Maratona da Nazaré, que cumpri obviamente sem recordes e ainda a recuperar da Maratona do Porto. Participei ainda no Treino Nocturno de São João das Lampas, que reproduz o percurso da mítica Meia Maratona de São João das Lampas, desta vez numa variante nocturna e não competitiva.

 
Após a Maratona do Porto, Novembro foi essencialmente um mês para rolar e não perder muito a forma.
 
 
 
Os números que ficam para a história de Novembro são:
• Contagem: 20 Treinos + 2 Provas
• Distância percorrida: 219,70 km
• Tempo: 20:08:03 h:m:s
• Ganho de elevação: 2678 m
• Velocidade Média: 10,9 km/h
• Ritmo Cardíaco Médio:  ND
• Calorias Gastas: 18.526 Cal
 
A aquecer para a MM da Nazaré com a Marta e o Daniel
Dezembro será um mês para começar a „meter“ de novo alguma intensidade nos treinos. Irei participar na Meia Maratona dos Descobrimentos e na São Silvestre de Lisboa, e irei estrear-me no Trail Longo do Cabo Espichel (30 Km), tudo em ritmo de treino pois o objectivo é preparar.
Bons treinos e melhores corridas!!!

Resumo do Mês de Outubro

Mais um mês que chega ao fim e que se revelou muito interessante ao nível das corridas.

Na Maratona de Lisboa

Foi o mês da Maratona de Lisboa, onde atingi o objectivo de terminar abaixo das 4h00 de corrida. Foi também o mês de treinar, sem esforçar ao limite, para a Maratona do Porto que é já no próximo Domingo. Pelo meio ainda participei na Meia Maratona Ribeirinha da Moita, nos 20 Km de Almeirim e nos 10 Km da Night Run. A Meia Maratona Ribeirinha foi corrida em 1h51; ritmo de treino, uma semana após a Maratona de Lisboa. Nos 10 Km da Night Run bati o meu recorde pessoal dos 10 Km, o que não foi difícil devido a raramente participar em provas tão curtas. Em provas oficiais de 10 Km o meu recorde é agora de 48’40”. Por fim nos 20 Km de Almeirim fiz 1h43. A uma semana da Maratona do Porto a ideia foi rolar sem esticar muito para não cansar. O tempo foi médio para a minha forma actual, mas ainda assim dá para verificar a melhoria que existiu no espaço de um ano, tendo tirado quase 8 minutos ao tempo que efectuei o ano passado neste mesmo percurso.



Entre provas houve direito a alguns treinos de rampas e treinos de séries, que me proporcionaram o melhorar um pouco a forma face à que exibia na Maratona de Lisboa. Espero que no Porto corra melhor e consiga melhorar o meu tempo na distância da Maratona.
Na Night Run

Para a história ficam os números, que em Outubro foram:

  • Contagem: 26 Treinos + 4 Provas
  • Distância percorrida: 295,70 km
  • Tempo: 27:17:43 h:m:s
  • Ganho de elevação: 3216 m
  • Velocidade Média: 10,8 km/h
  • Ritmo Cardíaco Médio: 144 bpm
  • Calorias Gastas: 18.169 Cal

Outubro já passou e foi um mês positivo. Novembro começa já com a Maratona do Porto no próximo Domingo, para não se perder o ritmo. A todos os que vão participar na Maratona do Porto, votos de boa sorte e boa corrida.

Próximo destino: Porto.

Bons treinos e melhores corridas!!!

Objectivo: Rock ‘n’ Roll Maratona de Lisboa

Em rápida contagem decrescente para a partida da Maratona de Lisboa, já preparei tudo o que havia a preparar para tornar a corrida dos 42,195 Kms o mais confortável possível. Equipamento, relógio, géis de hidrocarbonatos, saco com roupa para a chegada, e mais alguns pequenos detalhes ao meu gosto pessoal.


Esta será a minha terceira maratona e a primeira que vou correr em Portugal. O percurso é-me familiar – (treino nele bastantes vezes), parece que vai estar uma manhã quente – (o que me fará estar ainda mais atento à hidratação),e a preparação apesar de não ter sido a perfeita foi, em teoria, suficiente para fazer esta prova com alguma confiança. Mas 42 Km são 42 Km e nunca se sabe o que pode acontecer numa distância como esta. Todos os pormenores são importantes e há que estar atento a tudo: à estrada, à hidratação, aos companheiros de corrida, e sobretudo aos sinais que o nosso corpo nos dá.

Os meus objectivos para os 42,195 Kms da Maratona de Lisboa são:

1) Terminar a minha primeira Maratona em Portugal;

2) Nunca parar nem andar;

3) Correr a um ritmo no intervalo de 5:10 a 5:30 por Km;

4) Terminar com o tempo final entre 3h38 e 3h52.


Muitos amigos e companheiros de treinos e corridas vão fazer a sua estreia na distância da maratona nesta prova. A todos eles desejo a maior sorte e que o empeno no final seja benévolo para com eles.

A todos eles que se vão estrear nesta distância, dou o mesmo conselho que recebi antes da minha estreia: Se te fores a sentir mal e cansado, abranda. Se te fores a sentir muito bem e cheio de força, abranda.

E é isto. Desistir não é opção, a prova é para acabar mesmo que seja a andar!

Correndo o risco de me esquecer de alguém, um Boa Sorte especial para os estreantes: Alexandre Perdigão, Nuno Almeida, Pedro Pisco, Luís Sousa, Marta Andrade, Daniel Ramos, Joana Saraiva, Cristina e todo o restante gang do Portugal Running que se vai estrear e com o qual tive muito gosto em partilhar alguns treinos.

A equipa Ai Cristo Cristo Vem Cá Abaixo Ver Isto, está representada nesta prova por 4 elementos: eu próprio, o João Vargas e os estreantes Alexandre Perdigão e Nuno Almeida.

Ainda um abraço para o Joost que nesta prova vai com dorsal VIP e vai correr para um resultado abaixo das 3h00, e outro para o Camané que vai tentar um tempo muito perto das 3h00. Que a prova corra muito bem a todos vocês.

Bons treinos e melhores corridas!!!

Faltam 3 dias para a Maratona de Lisboa

E só já faltam 3 dias para o início de mais uma aventura em que irei participar: a Rock ‘n’ Roll Maratona de Lisboa.
Vão ser 42,19 Km, com início em Cascais e final no Parque das Nações em Lisboa.
O apoio do público, das caras conhecidas e sobretudo dos amigos é uma motivação extra para dar mais um passo em frente e ganhar ânimo e energia para ajudar a concluir mais esta jornada com sucesso.


Por isso mesmo convido-vos a passarem no Domingo dia 6 de Outubro por uma ou várias partes do percurso desta Maratona, cujo mapa podem descarregar clicando aqui

No mapa o percurso da maratona está marcado pela linha vermelha entre Cascais e o Parque das Nações. Aplaudam e motivem os atletas, e também os outros malucos (categoria onde me incluo) que por lá vão passar a correr. Acreditem que o vosso apoio é uma motivação muito preciosa para todos e ajuda também a tornar esta prova mais famosa!!!

A maratona vai ter inicio às 10h00 em Cascais.

No final, no Parque das Nações, vai haver um concerto (entrada livre) dos Xutos e Pontapés e muita animação, apareçam também por lá e divirtam-se!!!!

Horário dos concertos no final da prova:

11:00am-12:00pm ….. Os Corvos

12:15pm – 1:30pm …. XUTOS & PONTAPÉS

1:45pm – 2:45pm …. Secret Lie

3:00pm – 4:00pm ….. Pedro Vaz e sua banda

Aos amigos que vão participar quer na Maratona quer na Meia Maratona desejo a maior sorte do Mundo e que consigam terminar as vossas provas dentro do objectivo a que se propuseram.


Obrigado a todos e para quem vai correr: uma boa prova no Domingo!!!!

Resumo do mês de Setembro

Setembro foi um mês misto de sensações boas e menos boas.

Menos boas porque a minha lesão no tibial anterior ainda entrou por Setembro a dentro e não me permitiu concluir pela primeira vez uma prova: a Meia Maratona de São João das Lampas.

Apanhado pelo Pedro Carvalho no treino da coincidência
Sensações boas, porque a partir de determinada altura consegui começar a treinar a sério sem problemas e ainda consegui recuperar um pouco da forma entretanto perdida. Venha agora a Maratona de Lisboa.

Para a história os números do mês de Setembro:

• Contagem: 20 Treinos + 1 Corrida
• Distância percorrida: 233,90 km
• Tempo: 22:09:45 h:m:s
• Ganho de elevação: 1412 m
• Velocidade Média: 10,6 km/h
• Ritmo Cardíaco Médio: 145 bpm
• Calorias Gastas: 14217 Cal

Para o objectivo Maratona de Lisboa deveria ter corrido em Setembro cerca de 75 Km mais. Só assim teria uma preparação ao nível da que atingi para a minha participação na Maratona doLuxemburgo. Fiz o que foi possível fazer e posso dar-me por satisfeito por ter recuperado a tempo de treinar o suficiente para participar na Maratona de Lisboa.

Metade da equipa ACCVCAVI depois das Lampas

Setembro foi o mês da participação na Meia Maratona de São João das Lampas onde tive de abandonar a prova a meio, mas também onde a equipa ACCVCAVI esteve representada em força com nove atletas, tendo (quase) todos conseguido excelentes resultados.

Pessoalmente, ainda tive tempo para fazer dois treinos longos, (29 e 34 Km), e o final do mês já foi em modo “taper” para chegar ao próximo Domingo em condições.
Percurso da Maratona de Lisboa no próximo Domingo, Apareçam!!!

Por falar nisso, Domingo saiam de casa e passem pelo percurso da Maratona de Lisboa. Entre Cascais e o Parque das Nações de certeza que poderão apoiar os atletas em algum ponto da prova. 
Como bónus quem sabe se não ganham o bichinho da corrida e vêm experimentar um dia destes.


Bons treinos e melhores corridas!!!