Toca a Todos, a nós tocou-nos 0,1%

Faz hoje duas semanas que participei na Ultra Maratona Solidária Toca a Todos. Se não sabem do que estou a falar, podem relembrar o âmbito desta acção solidária aqui e aqui.

Não sendo este desafio uma prova competitiva mas antes uma acção solidária, vou resumir-me ao que de bom teve esta acção solidária.

Let’s Party!!! Leiria, Lisboa é já ali…

 

Segundo o que tem sido divulgado pela RTP/Antena 3, os promotores oficiais desta acção, foram angariados cerca de 410000 Euros para ajudar a combater a pobreza infantil. Eu, o Nélson e a Sandra, com a nossa “venda” de quilómetros a favor desta causa, contribuímos com pouco mais de 0,1% desse valor. Na verdade foram os nossos amigos que contribuíram na maior parte, ao comprarem os quilómetros que iriamos correr de Leiria a Lisboa, e a eles o nosso muito obrigado. Nunca é demais agradecer e repetir o nome deles:

Vânia Silva • Liliana Silva • Sónia Tubal • Cláudia Pargana • Henrique Ruivo • Paulo Jorge • Céu Carvalho • Patrícia Gomes • Zé Lourenço • Sandra Simões • Paula Veiga • Paula Carvalho • Sofia Agostinho • Nélson Marques • João Valente • Patrícia Mar • Joaquina Reforço • João Gião • João Vargas • Krzysztof Waberski • Luís Antunes • José Rodrigues • Mustafa Kilic • Augusto Pereira • Francisca Reforço • Alexandre Perdigão • Susana Lourenço • Sónia Teixeira • Jorge Esteves • Pedro Simões • Fernando Simões • Marcos Ribeiro • Ana Varejão • Sofia Coelho • Daniela Rocha • Patrícia Marques • Lilian Kato • D. Rosa • Joana Sena • Clara Rianço • João Gaspar • Jorge Esteves • Pedro Carvalho • Maria Emília Janela • Mafalda Faria • Carlo Martins • Marlene Silva • José Caldeirinha • Patrícia Encarnação • Ana Isaías • Nuno Gião • Sandra Antunes • Flávia Dionísio • Mónica Lousada • Francisco Fernandes • Pedro Machado • Manuela Machado • Guilherme Nalha • Gustavo Nalha • Duarte Martinho • Francisco Fernandes • Patrícia Candeias • Lídia Marques • Isabel Tempero • Sara Ali.

Entrega do donativo de todos nós à caixa dos Ultra Maratonistas

 

Da aventura desportiva de Leiria a Lisboa, tenho sobretudo a realçar o companheirismo e a amizade com que decorreu toda esta aventura. Foi bom partilhar muitos quilómetros de corrida com verdadeiros campeões, e foi bom sentir o calor de tantos amigos à partida e a chegada.

Também houve direito a descansar 😉

 

Correndo o risco de me esquecer de alguém, quero agradecer a todos os que apareceram em Leiria na partida, no Terreiro do Paço à chegada, ou foram enviando mensagens de motivação ao longo da noite: o Bagorro, a Paulinha, a Isabel, a Vânia, a Lili, o Krzysztof, a Sara, a Marisa, o Luís, o Miguel, a Bernardete, o Marco, a Emília, a Catarina, o Victor, o João, a Carla, a Nur, a Andreia, a Cristina, a Susana, a Joaninha, e aqueles de que me esqueci agora de referir. Um abraço especial ao Zé Lourenço e à Elena que se juntaram a todos os atletas nos últimos quilómetros desta aventura.

Amigos 🙂

 

E mais amigos 🙂

 

O líder do grupo que partiu de Leiria foi o grande campeão João Colaço, e a ele quero também agradecer a partilha de experiência e a oportunidade de correremos juntos. Ao André Goucha que o acompanhou e deu apoio a muitos atletas, eu incluído, e ao Paulo Costa atleta que se esforçou por correr a maior distância entre todos, um especial obrigado.

A equipa sempre acompanhada de campeões 🙂

 

É claro que toda esta aventura só começou por ser possível, por um tipo ainda mais maluco que eu e de seu nome Nélson Marques, me ter desafiado a participar em tal gloriosa jornada. E como quando corre um maluco português, juntam-se logo mais dois ou três, não faltou também a Sandra Simões para compor o ramalhete de pessoal que não tinha mais nada para fazer numa sexta-feira à noite, senão ir a correr de Leiria a Lisboa… E tudo isto acabou sendo possível por se terem juntado ao grupo duas peças fundamentais, a Lilian e o Kiko, que fizeram um excelente serviço de carro de apoio, sem o qual não teria sido possível cumprir esta jornada de tantos quilómetros. A todos vocês um obrigado enorme, daqueles que não cabe em palavras.

Corre, que estás quase a chegar…

 

Por fim o obrigado mais especial de todos: para a minha Mãe, e já agora para todas as Mães.

Na paragem na Marinha Grande, terra do campeão João Colaço, lá estavam os seus pais a desejar-lhe boa sorte, mas também a lembrar-lhe que ele é de carne e osso, e com as preocupações que todas as mães e pais têm para com os seus filhos. É sempre giro constatar que as preocupações dos progenitores são comuns para com os seus rebentos, sejam eles campeões ou atletas de pelotão.

Um beijinho especial 🙂

 

Foi reconfortante lembrar-me que dali a pouco mais de 130 quilómetros, teria também a minha Mãe à espera. Um grande beijinho para ti.

Sigam a Ultra Maratona Solidária

Faltam pouco menos de 24 horas para ter inicio a minha participação na Ultra Maratona Solidária Toca a Todos.

Vão ser cerca de 150 Km, de Leiria até ao Terreiro do Paço em Lisboa, a acompanhar os melhores dos melhores da Ultra Maratona. Espero ter pernas para completar tal desafio sem problemas.

Já apresentei e expliquei a iniciativa Toca a Todos noutro artigo, pelo que se ainda não conhecem ou não ouviram falar, façam favor de revisitar o que escrevi clicando aqui.

Paralelamente à iniciativa oficial, eu, o Nélson Marques e a Sandra Simões, decidimos “vender” simbolicamente a 1 Euro os quilómetros que vamos percorrer nesta iniciativa, eu e Nélson aproximadamente 150 Km cada um, e a Sandra cerca de 30 Km.

Os nossos amigos e familiares são uns porreiraços e, em poucas horas, ultrapassamos a barreira dos 330 Km que tínhamos ambicionado.

Até ao momento contribuíram para a causa Toca a Todos os nossos amigos:

Vânia Silva • Liliana Silva • Sónia Tubal • Cláudia Pargana  • Henrique Ruivo  • Paulo Jorge • Céu Carvalho  • Patrícia Gomes • Zé Lourenço • Sandra Simões • Paula Veiga • Paula Carvalho • Sofia Agostinho • Nélson Marques • João Valente • Patrícia Mar • Joaquina Reforço • João Gião • João Vargas • Krzysztof Waberski • Luís Antunes • José Rodrigues • Mustafa Kilic • Augusto Pereira • Francisca Reforço • Alexandre Perdigão • Susana Lourenço • Sónia Teixeira • Jorge Esteves • Pedro Simões • Fernando Simões • Marcos Ribeiro • Ana Varejão • Sofia Coelho  • Daniela Rocha • Pat Marques • Lilian Kato • João Gaspar • Jorge Esteves • Pedro Carvalho • Maria Emília Janela • Mafalda Faria • Carlo Martins • Marlene Silva • José Caldeirinha • Patrícia Encarnação • Ana Isaías • Nuno Gião • Sandra Antunes • Flávia Dionísio • Francisco Fernandes,

aos quais desde já endereço o nosso grande muito obrigado, e que nos permitiram angariar para esta causa e até ao momento, a quantia de 350 Euros.

A quantia que apurarmos até amanhã, será depositada na caixa para o efeito, no estúdio transparente, à nossa chegada ao Terreiro do Paço pelas 16h30 de Sábado.

Podem continuar a contribuir para ajudar a combater a pobreza infantil em Portugal por estes meios:

Para acompanharem a nossa aventura em tempo real podem fazê-lo em:

  • Site da RTP com mapa e localização em tempo real dos Grupos participantes, clicando aqui.
  • Página do Facebook onde tentarei ir actualizando os locais por onde andamos, clicando aqui.

Mais coisa menos coisa, o Grupo liderado pelo João Colaço e onde eu vou inserido terá este horário:

Localidade Dia Hora Km Parciais Km Totais Latitude Longitude
Leiria 05-Dez 22:00 0 0  39°44’40.52″N   8°48’28.99″W
Marinha Grande 06-Dez 01:30 12 12  39°44’49.19″N   8°56’1.91″W
Nazaré 06-Dez 03:15 18 30  39°36’59.89″N   9° 3’31.52″W
Caldas da Rainha 06-Dez 06:00 27 57  39°24’7.82″N   9° 8’9.97″W
Casais do Caniço 06-Dez 07:40 17 74  39°16’22.56″N   9° 2’54.08″W
Aveiras de Cima 06-Dez 09:45 21 95  39° 8’26.89″N   8°53’58.95″W
N3 06-Dez 10:00 3 98  39° 7’9.95″N   8°52’48.40″W
Aveiras de Baixo 06-Dez 10:06 1 99  39° 6’37.64″N   8°52’8.24″W
Azambuja 06-Dez 10:42 6 105  39° 4’15.78″N   8°51’49.46″W
Vila Franca de Xira 06-Dez 12:30 17 122  38°57’31.54″N   8°59’11.96″W
Expo-Pala Pav. Portugal 06-Dez 15:30 25 147  38°45’47.45″N   9° 5’45.49″W
Praça do Comércio 06-Dez 16:30 7 154  38°42’27.06″N   9° 8’11.58″W

Na Marinha Grande, há a junção do nosso grupo com o Grupo que vem de Caminha liderado pelo Carlos Sá, e com o Grupo que vem do Porto liderado pelos “Cães da Avenida”.

Em Vila Franca de Xira estes três grupos reúnem-se com os Grupos que vem de Manteigas liderado pelo Armando Teixeira, e o que vem de Sagres liderado pelo Miguel Reis e Silva.

 

Todos juntos, encontraremos muitos outros atletas e grupos de corrida no Parque das Nações, para nos acompanharem até ao destino final no Terreiro do Paço.

O Miguel Reis e Silva e o Carlos Sá já estão a caminho de Lisboa. Boa viagem para os vossos grupos.

Daqui a pouco estaremos todos juntos.

Esperamos por todos vós no Terreiro do Paço, Sábado por volta das 16h30. Até lá 😉

Ultra Maratona Solidária

Por vezes há desafios a que temos de dizer que sim, apenas porque são por uma boa causa.

No âmbito do repto que a RTP lançou à sociedade civil para a criação de iniciativas com o objectivo de combater a pobreza infantil, alguns dos principais grupos de maratonistas do nosso país juntaram-se para organizar uma ultra maratona solidária. Vão sair dos pontos mais extremos de Portugal em direcção à Praça do Comércio. E é relevante a acção unir os pontos mais extremos de Portugal. Da simbologia de Sagres, de Caminha e do ponto mais alto do país, a Serra da Estrela. Ao todo serão percorridos mais de 1000 km por esta causa.

O desafio é também que pontualmente em cada zona de passagem, mesmo que por alguns Kms apenas, muitos portugueses a eles se associem. E eles vão pedir a todos quantos queiram endereçar a cada um dos Grupos Líder, donativos, eles deixarão o dinheiro recolhido pelo caminho, no “Estúdio de Vidro” da Praça do Comércio, numa chegada que será transmitida em directo na rádio e televisão, depois das 3 da tarde de Sábado.

Irei juntar-me a esta acção e farei parte do grupo liderado pelo João Colaço que irá partir do centro (Leiria) na próxima 6ªfeira pelas 21h30.
Na Marinha Grande iremos juntar-nos aos grupos que vêm de Caminha e do Porto, liderados pelo Carlos Sá e pelos Cães da Avenida respectivamente, mais tarde aos grupos que vêm do interior (Manteigas) e do sul (Sagres), liderados pelo Armando Teixeira e Miguel Reis e Silva.
Porque em Portugal uma em cada três crianças está em risco de pobreza, unimo-nos e juntos vamos ajudar a chamar à atenção de todos para ajudar a resolver este problema.

Vamos rumo à Praça do Comércio em Lisboa onde deixaremos o contributo em dinheiro de todos os que nesta viagem se queiram encontrar connosco, correr e contribuir financeiramente para esta causa.

Juntos! Todos os Ultra Maratonistas de Portugal.

É uma iniciativa da sociedade civil, associada à mega operação Toca a Todos da Antena 3 e do Grupo RTP, de 3 a 6 de Dezembro. Toda a informação sobre a acção Toca a Todos disponível clicando aqui.

Podem acompanhar as minhas actualizações desta aventura na minha página clicando aqui.

Partilha! Passa a palavra!

XI Maratona do Porto

Há corridas assim, que têm tudo para correr mal e acabam correndo muito bem, ou como diria o meu amigo Vargas, das piores tocas saem os melhores coelhos. Assim foi com a XI Maratona do Porto.

Decidi efectivamente participar na maratona do Porto na Sexta-feira, dois dias antes da prova. Inicialmente a minha participação seria para se resumir a fazer um treino mais longo e fazer de lebre e dar algum suporte a uma amiga que se ia estrear na distância da maratona. Uma lesão de última hora impediu esta minha amiga de participar, ficando eu com a indecisão nas mãos acerca de participar ou não, e depois decidir em que moldes iria fazê-lo. O meu plano de treinos apontava para dois treinos de duas horas neste fim-de-semana, e uma vez que no Sábado a minha agenda estava preenchida profissionalmente decidi mesmo participar na maratona no Domingo. Tomada a decisão de participar defini como objectivo para esta corrida rolar e tentar manter o ritmo de 5:13/Km. O meu principal objectivo é a participação nos 80K do Arrábida Ultra Trail no próximo dia 16, pelo que esta maratona teria forçosamente de ser feita a um ritmo confortável, para não causar um desgaste excessivo que fosse impossível de recuperar em duas semanas. Assim sendo, apesar de há alguns meses não efectuar treino específico para provas de estrada e 5:13/Km ser um ritmo para bater o meu recorde pessoal na distância, com o planeamento e alguma qualidade dos treinos que tenho realizado para as provas de trilhos, pareceu-me um objectivo perfeitamente alcançável. Foquei assim o objectivo em chegar ao fim em 3h40 tirando 4 minutos ao meu anterior melhor.

A boa disposição antes da partida com o Miguel Baptista e o Nélson Marques

Alguns dos rituais que costumo cumprir para estas provas de estrada, ficaram por cumprir. Não encontrei os pensos para o nariz, que me ajudam efectivamente a respirar melhor, e sobretudo esqueci-me de comprar fita anti bolhas para colocar nos dedos dos pés e evitar assim alguns danos colaterais como as famosas unhas negras. Não havia tempo útil ou oportunidade para corrigir estas falhas, pelo que me dirigi para a partida sem pensar muito nisso e disposto a correr sem que tal me afectasse.

A zona da partida da Maratona do Porto é sempre uma festa dentro da festa. Muitas caras conhecidas, muita troca de palavras de motivação com os muitos amigos atletas, muitas fotos e uma enorme nuvem de boa disposição a pairar no ar.

A manhã estava fresca, o sol escondido atrás das nuvens só espreitava esporadicamente, pelo que estava uma excelente manhã para correr. Chegaram as 9h00, soou o tiro de partida e lá fui eu para a minha sétima maratona de estrada. Sentia-me bem e tentei manter um ritmo mais rápido do que o previsto inicialmente para não incomodar muito os aceleras que partiram comigo do bloco A. Quando dei por mim estava a correr a menos de 4:55/Km e continuava a sentir-me muito bem. É certo que ainda só tinha corrido pouco mais de dois quilómetros, mas era um bom prenuncio para o resto da corrida. Entretanto deu-me uma vontade de fazer um xixi. Não era uma necessidade urgente e que me obrigasse a parar, mas antes daquelas vontades pequeninas, que se vão sentindo e que apenas se vão tornando incómodas ao longo do tempo. Mais uma decisão a tomar: parar agora que me sentia bem e libertar-me daquela sensação incómoda, ou esperar mais uma dezena de quilómetros até ser verdadeiramente urgente a necessidade e eventualmente ser mais difícil retomar o ritmo que levava. Optei por parar logo e resolver este assunto. Uma paragem breve, de três dezenas de segundos, mas que pareceram horas e que me fizeram ver afastar o pelotão que seguia o balão das 3h30 onde eu me inseria até então. Feito o xixi retomei o ritmo que me embalava desde o início, abaixo de 5:00/Km, e continuei em direcção a Matosinhos onde cruzei os 10 Km em pouco mais de 50 minutos. Aproveitei a mudança de direcção para a Foz e a descida que aí existia, para acelerar um pouco e ajudar a manter o ritmo abaixo dos 5:00/Km. Por volta do Km 14 o Paulo Taboas chegou-se perto de mim. O seu objectivo era fazer 3h30 e como ia mais ou menos nesse ritmo podíamos ajudar-nos mutuamente. Infelizmente uma mazela reincidiu novamente no seu tornozelo e apenas conseguimos rolar juntos por cerca até perto do Km 17, onde eu continuei e o Paulo teve de abrandar um pouco o ritmo.

Chegado à Foz lembrei-me do Tenente Vilaverde, da sua amada Luísa e de Sebastião Moncada, que terá pernoitado numa estalagem da Foz do Douro nos idos de Junho de 1832. Perguntam-me tantas vezes no que se pensa quando se corre 4, 5, 6 horas seguidas… Dá para pensar em tudo! Neste caso deu para pensar na sorte de alguns dos personagens de um romance que ando ando a ler por estes dias, e que se situa precisamente no Porto por altura das guerras liberais.

 

Segui até à meia maratona, marco que cruzei com 1h44 de prova, altura em que o primeiro queniano cruzava a estrada no sentido contrário já no seu Km 36!!! Continuei a minha prova e atravessei a Ponte D. Luis, passando o cais de Gaia em direcção à Afurada, onde o meu amigo Fernando Pinho lá estava a dar o seu tradicional apoio aos atletas e a filmar as nossas figuras tristes. Um grande abraço para ele.

O percurso da Ponte D. Luis à Afurada e regresso são aproximadamente 9 Km, entre os quilómetros 24 e 33 e foram para mim a pior parte de toda a prova. Por um lado grande parte do percurso é de paralelepípedo o que obriga a fugir para o passeio para não dar magoar tanto os pés, por outro lado foi um trajecto em que quer na ida quer na volta me cruzei com muitos atletas amigos, e os acenos e/ou as trocas de palavras motivacionais que se fazem, fizeram-me perder um pouco o foco na corrida e consequentemente perder um pouco o ritmo constante que levava até então. Na volta da Afurada, perto do Km 28, ainda houve lugar a uns metros de loucura e pura insanidade. O Rui Pedro Julião que foi fazer de lebre a um amigo nesta maratona e até então tinha vindo lá mais para atrás, passou por mim no seu ritmo normal de 3:50/km e gritou “Nuno cola-te a mim e anda”, e eu bem mandado, e aproveitando que era a descer lá fui atrás dele… loucura que durou durante 10 ou 15 metros, altura em felizmente percebi a insanidade do acto que estava a cometer e me remeti ao meu ritmo de corrida.

A chegar à meta e a fugir do Nélson Mota 🙂

Cruzo novamente a Ponte D. Luis e fico satisfeito por só faltarem 9 Km para chegada. Continuava a sentir-me bem, o ritmo estava controlado, e o objectivo que tinha definido para a corrida só não seria batido se acontecesse algum azar. As minhas dúvidas nesta altura da corrida eram entre seguir forte e tentar baixar as 3h30, ou manter um ritmo mais tranquilo e chegar ao fim com um menor desgaste. A decisão a tomar foi rápida: acalmar e chegar ao fim com um menor desgaste. Apesar do bom desempenho com que a prova se desenrolava o meu objectivo continuava a ser treinar para o AUT, não fazia assim sentido desgastar-me muito mais mantendo um ritmo mais forte, sabendo que vou necessitar de todos os meus recursos dentro de quinze dias. Por outro lado estava a utilizar um dorsal cedido pelo meu amigo Vargas, pelo que o resultado oficial também não ficaria no meu nome próprio, o que feitas as contas também ajudou à decisão. Decidi assim acalmar, relaxar um pouco as pernas e seguir perto dos 5:13/Km a que inicialmente me tinha proposto para terminar algures perto das 3h35. Tudo ia tranquilo até que algures perto do Km 41 passa por mim o amigo Nélson Mota todo contente e a chamar por mim. Deu-me um avanço de cerca de 100 e poucos metros e entretanto pensei: “já o ano passado este #$%&=% (amigo) passou por mim no final, este ano não pode ficar assim…”. Fui a marcá-lo à distância até à curva para a subida final para a meta, onde sei que nesses cerca de 1200 metros finais muitos atletas abrandam o ritmo naturalmente com a subida. Quando comecei a subir acelerei o ritmo e apanhei novamente o Nélson em poucas centenas de metros. Aí chamei eu por ele, “Anda Nélson só faltam 600 metros”, liguei o turbo novamente e tencionava ir até ao fim assim, quando a 200 metros da meta apanho o Miguel Baptista que tinha iniciado a prova para tentar as 3h15. Ia já em dificuldade e abrandei para puxar por ele, “Anda Miguel que só faltam 200 metros”, mas ele já não dava mais e lá segui de novo até a meta ultrapassando mais meia dúzia de atletas nos metros finais. Cruzo a linha de chegada nas 3h33’59”, sendo o tempo líquido de chip 3h33’44” um novo recorde pessoal onde tirei quase 11 minutos ao meu anterior recorde. A história não se repetiu e este ano cheguei eu à frente do Nélson por uns segundos.

Chegado ao fim da Maratona do Porto fiquei muito satisfeito com o meu desempenho. Controlando sempre o ritmo e não esforçando nada em demasia, consegui correr abaixo dos 5:00/Km cerca de 32 Km e terminei os 42 Km com uma média de 5:04/Km, bem abaixo dos 5:13/Km que tinha previsto inicialmente.

No final as fotografias da praxe, a medalha, a jola, a t-shirt de finisher e a garrafa de vinho do porto, foram a recompensa para uma bela manhã de exercício.

Como ponto menos positivo os duches que a organização disponibilizou para a prova: Um único chuveiro para mais de 4000 atletas da maratona e a cerca de 1500 metro da chegada. Pergunto eu, se metade dos 4000 atletas decidissem tomar duche logo ali, como é que seria e que imagem passaria para o exterior desta organização? Esta é a prova de que mesmo em organizações consideradas como boas, existem sempre processos e aspectos passiveis de melhoria.

Para fim de festa houve lugar à tradicional francesinha para recompor do esforço da corrida.

Desta vez o Vargas tinha razão, a toca não tinha bom aspecto mas saiu de lá um belo coelho.

Continuação de bons treinos e de boas corridas!!!

Resumo do Mês de Setembro

Após um interregno na escrita que durou quase quatro meses, eis que recomeça tudo aqui, com cara lavada, num blog mais pessoal e mais transmissível, e com a certeza que pretendo afirmar cada vez mais a minha faceta de atleta Ultra Runner.

Setembro foi o mês para retomar os treinos com maior intensidade, à medida que o tornozelo torcido no mês de Junho ia ficando cada vez mais próximo dos 100%, para terminar em beleza com a participação no Grande Trail Serra d’Arga.

 

Grande Trail Serra d'Arga

Grande Trail Serra d’Arga

O mês de Setembro começou com a já tradicional rentrée nas provas após as férias de verão, com a participação na mítica Meia Maratona de São João das Lampas, onde cumpri em ritmo de treino mais uma fantástica organização do amigo Fernando Andrade.

Foi ainda o mês de organizar o Urban Night Trail 2790, onde 23 atletas participaram num espectacular treino pelo carrocel da Serra de Carnaxide.

 

Urban Night Trail 2790

Urban Night Trail 2790

 

Para terminar Setembro nada melhor que estrear-me numa das míticas provas de trail running portuguesas o Grande Trail Serra d’Arga. Foram 53 Km de sobe e desce, cumpridos em pouco menos de 8h30. Uma organização excelente do Carlos Sá, condições atmosféricas que proporcionaram um dia excelente, e um percurso de uma beleza impar, foram factores que tornaram esta uma das provas que me deu mais gozo de fazer.

Danos colaterais

Danos colaterais

 

Para a história do mês de Setembro ficam os seguintes números:

Contagem: 15 Actividades + 2 Provas

Distância: 314,40 km

Hora: 35:57:21 h:m:s

Ganho de elevação: 8158 m

Calorias: 39857 C

 

 

 

 

Continuação de bons treinos e de excelentes provas!!!

Resumo dos Meses de Janeiro e Fevereiro

O início deste ano foi dedicado a continuar a preparar a participação na Maratona de Sevilha, mas o mau tempo que se fez sentir durante Janeiro aliado a alguma preguiça para treinar, não ajudaram em nada este objectivo. Além dos treinos habituais, os únicos destaques de Janeiro são os dois treinos longos que fiz e a participação no Grande Prémio do Fim da Europa.

Ainda assim para a história do mês de Janeiro ficam os seguintes números:
Contagem: 13 Actividades + 1 Prova
Distância: 245.60 km
Hora: 26:47:50 h:m:s
Ganho de elevação: 6,625 m
Velocidade média: 9.2 km/h
Cadência média de corrida: 83 ppm
Calorias: 14,442 C
Já Fevereiro foi o mês da Maratona de Sevilha. Os treinos diminuíram em quilometragem mas a intensidade aumentou um pouco. O mau tempo continuou por Lisboa e a preguiça para treinar também não abandonou estas paragens.
Como resultado ficaram estes números:
Contagem: 12 Actividades + 1 Prova
Distância: 169.75 km
Hora: 15:29:38 h:m:s
Ganho de elevação: 1,797 m
Velocidade média: 11.0 km/h
Cadência média de corrida: 83 ppm
Calorias: 15,445 C
O resultado da Maratona de Sevilha foi menos bom, apesar de ter ido em bom ritmo até aos 30 Km.
Agora e até Agosto o objectivo é preparar o melhor possível as provas de Trail em que irei participar. Por esse motivo as provas de estrada não vão estar nos meus horizontes e, a participar em algumas, será mesmo em ritmo de treino e apenas para dar quilómetros às pernas. Para o segundo semestre do ano, ainda terei de pensar e definir objectivos.
Continuação de bons treinos e boas provas!!!

Maratona de Sevilha 2014

Esta maratona, a XXX de Sevilha, não foi tão bem preparada em termos de treino como outras do ano passado, mas longe estaria eu de pensar que me fosse correr tão mal.

O dorsal e a medalha final
Dias antes dizia eu meio a brincar que o objectivo era fazer melhor que a estreia no ano passado, e a realidade é de que esse foi efectivamente o único objectivo conseguido. Em termos práticos tirei 14 minutos ao tempo da Maratona de Sevilha de 2013, mas também fiquei a 18 minutos do meu melhor tempo na maratona, obtido no Porto há três meses atrás. 

A minha mente estava consciente de que o treino não tinha sido o melhor e que dificilmente iria bater as 3h44 do Porto, mas o objectivo íntimo seria conseguir algo entre as 3h45 e as 3h55, conforme o que fosse sentindo durante a corrida. Aliás essa era a única estratégia que tinha delineado para esta prova: ir correndo dentro das minhas possibilidades conforme me fosse sentido.

Acordei bem-disposto com o despertador às 6h00 e tomei o pequeno-almoço dentro do habitual em dias de corrida. Fui para a zona da meta na esperança de encontrar muitos dos amigos que também estavam em Sevilha para correr a maratona, mas acabei por me cruzar apenas com um ou dois, no meio da enorme multidão de atletas, cerca de 9000. Acabei ficando com o José Santos para a partida, o qual fez o favor de desaparecer assim que a prova começou, tal era o ritmo a que ia, bem forte de mais para as minhas pernas. Este malandro acabou por terminar com 3h14, um excelente resultado. Parabéns Zé! Voltando à minha corrida, lá fui os quilómetros iniciais sozinho e num ritmo razoável, cruzando-me aqui e ali com algumas caras conhecidas. Aos 2 Km passou por mim o balão que indicava 3h00. Aquele não era de todo um ritmo para mim e não foi nada que me deixasse preocupado. O balão que indicava 3h30 também passou por mim entre os quilómetros 9 e 10 o que também não me deixou preocupado, pois não era esse a meta que tinha destinado para mim. Por esta altura também passo pela Ângela Costa que está a comentar com o Rui Alegre: “…não vem ninguém para as 3h30…” e nem me viram passar por eles! Serviu para me ir a rir divertido até uns metros mais à frente onde estava a minha mãe a apoiar-me com a bandeira de Portugal com o meu nome. Mais um forcing e mais uns metros corridos, e entretanto cruzo o check point dos 10 Kms em 00:51:49, o que dava um ritmo médio de 5:11/km e uma estimativa de terminar abaixo das 3h40. Ia bem, sentia-me bem, mas sem nunca me esquecer da velha máxima da maratona: se te vais a sentir cansado abranda, se te vais a sentir bem abranda. Ia eu com estas contas e pensamentos, e começo a ouvir atrás de mim: “Embora Nuno Gião, chegou o balão das 3h40”; e lá vinha o Luís Boleto com mais uns amigos a correr para as 3h40. Não foi preciso insistirem muito e lá fui com eles. Afinal o ritmo que levavam era igual ao meu e eu até estava tranquilo e a sentir-me bem, e assim fui com eles até ao quilómetro 20, altura em que o Boleto acelerou mais um pouco e não consegui acompanhar o ritmo. Ainda assim ia completamente dentro do ritmo para as 3h40. Passo a meia maratona e recebo o primeiro sinal do que estaria para vir. Estava algum calor, bebia sempre um pouco de água em todos os abastecimentos, mas parecia que a água que bebi não circulava e acabava por se acumular no intestino. Comecei aqui a sentir dores de barriga, que incomodavam o suficiente para não conseguir manter o ritmo que levava até então. Na Maratona de Lisboa já tinha padecido de um problema análogo. No entanto após 3 ou 4 quilómetros a correr e a conseguir libertar uns “gazes” pelo caminho essas cólicas passaram e consegui ir até ao fim sem parar. Estava na esperança que desta vez o processo fosse igual, no entanto estava difícil de conseguir libertar o tal “gás”. Por volta dos 22/23 Km fui apanhado por dois amigos do Banif/Açoreana que iam no grupo inicial com o Boleto e que entretanto tinham ficado para trás. Fui com eles mais uns quilómetros até perto do Km 25, mas as dores de barriga não só não passavam como teimavam em aumentar, pelo que decidi abrandar mais um pouco para acalmar a “tripa” e decidi que iria tentar ir à casa de banho que existiria no quilómetro 30. A decisão de parar durante uma corrida por um motivo tão estupido como ir aliviar a tripa é sempre uma decisão muito difícil, pelo que entre o quilómetro 25 e o 30 não sei o que me custou mais, se aguentar correr sem me infligir estragos maiores ou ter de decidir “mesmo” parar aos 30 quilómetros. Foi assim nestes pensamentos, que após 2h41 de corrida cruzo o check point dos 30 Km olho para a direita, observo que a casa de banho até está livre e decido entrar.
Quase no fim, a chegar ao Km 38. Foto do Rui Alegre.

Interlúdio

Pertenço ao grupo de pessoas que muito dificilmente utiliza uma casa de banho que não seja de “confiança”, mas já por meia dúzia de vezes tive usar por motivo de força maior estas casas de banho químicas que disponibilizam antes e durante as provas. Ainda assim sou esquisito e tento encontrar uma que esteja mais decente que as outras. Tinha chegado não um motivo de força maior mas ante “o” motivo de força maior, e a escolha era reduzida a uma opção pelo que entrei na opção disponível. Primeiro (e estupido) pensamento: “o gajo que vier a seguir  vai pensar que fui eu que caguei isto tudo”, tal era o estado do meu predecessor que nem sequer conseguiu acertar no buraco, digamos de tamanho normal, onde qualquer pessoas normal se sentaria normalmente. Estes WC também são denominados de WC químicos, e se calhar o tipo, apesar da altura considerável que vai

Maratona dentro da maratona…

entre a sanita e os “químicos” propriamente ditos, deve ter medo que algum calhau caia com mais força, provoque uma onda, e os químicos lhe acertem em algum local mais sensível… Pensamentos estúpidos ultrapassados, foi altura de baixar o calção e fazer uma ginástica para em semi agachamento ter melhor pontaria que o palerma anterior. Entretanto a cabine do dito WC começa a abanar e por momentos, pareceu-me que estava a fazer surf, com os calções nos tornozelos e que aquela porcaria que se ir virar a qualquer momento. Aí é que a merda se ia mesmo entornar!… Calções nos tornozelos, pontaria afinada, e não é que as dores de barriga que me incomodaram fortemente nos nove quilómetros anteriores não queriam expelir nada de nada, nem um gaz mínimo para amostra e que justificasse tão incómoda paragem?! Foram 2 ou 3 minutos assim, e decido desistir, vou agacho-me mais um pouco para puxar os calções para cima e voilá a magia aconteceu! Aconteceu mas foram artes mágicas lentas. Foi uma eternidade de 5 ou 6 minutos até libertar toda a magia que havia em mim. Abro a porta, saio do WC dito químico, entra outro aflito para o meu lugar. Imagino que o gajo pensou: “Este cab&%# cagou isto tudo”, mas a culpa não foi minha…

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De volta à corrida já com esta definitivamente estragada, mas bem mais leve apesar de ainda com um incómodo no intestino, tentei recuperar o ritmo que levará até aos 30 Km. Se lá conseguisse chegar de novo, ainda terminaria a prova com menos de 4h00, o que não sendo bom, seria uma boa marca com tanta peripécia pelo meio. O relógio aponta novamente 5:11/km de ritmo, mas a tripa começa a dar novamente sinal agraste. Abrando o ritmo e a tripa abranda o seu sinal comigo. Andámos os dois neste jogo por mais uns quilómetros, mas sempre que bebia mais águas, as cólicas aumentavam de novo, e decidi que a tripa vencesse esta batalha, mas não iria de certeza vencer a guerra. Anuí em baixar o ritmo para níveis que nem tinha pensado antes da prova, cheguei mesmo a parar por 4 ou 5 vezes para fazer alguma ginástica abdominal, mas fui correndo até ao final. Chegado ao fim do quilómetro 41, cancelei todas as negociações que existiram até então com a tripa, e acelerei até à meta, terminando os 200 metros finais já na pista do Estádio Olímpico com um sprint forte para mostrar à tripa quem é que manda. No final terminei com 4h02:20, descontando os cerca de 7 minutos que estive na box, daria um tempo líquido na casa das 3h55 o que face às circunstâncias nem foi mau.

Resultados parciais e final


Em resumo e mesmo com esta casualidade menos boa, foi uma boa corrida, muito animada, com público a assistir, a aplaudir e a incentivar os atletas do início ao fim da prova, e que continua com uma relação qualidade/preço muito muito boa, face a toda a organização com que somos presenteados.

Não correndo o risco de me esquecer de alguém, quero agradecer e dar os parabéns a todos aqueles com que partilhei treinos e momentos na preparação para Sevilha e que estiveram igualmente este Domingo em Sevilha para correr ou só para acompanhar outros atletas. Um abraço especial ao Camané, ao João Veiga e ao Pedro Pisco, que cumpriram mais uma jornada com tempos canhão, com 3 horas e 7, 14  e 20 respectivamente.



Continuação de bons treinos e de boas corridas!!!



Next stop: 50 Km do Ultra Trail do Piodão