Escolher uns ténis para correr

A escolha de uns ténis (ou sapatilhas) para correr é, quase sempre, um processo de difícil decisão, sobretudo para quem corre muitos quilómetros por mês e tem um orçamento limitado para a aquisição destes artigos.

Há centenas de marcas, milhares de modelos diferentes, quase todos prometendo milagres para os pés e centenas de quilómetros de corrida rápida e sem cansaço, só falta mesmo prometerem que correm sozinhos, sendo que um par desses é que eu gostava de poder comprar…

A juntar a este milhar de opções “oficiais”, reaparece agora o fenómeno dos ténis contrafeitos, fenómeno não novo e que volta e meia invade o mercado em meia dúzia de modelos mais populares. Um dos modelos da moda são os Salomon SpeedCross 3, ténis para corrida em trilhos, que custam os originais entre 90 a 130,00 €, que surgem no “mercado” na sua versão contrafeita entre 30 a 60,00€. Este modelo, (e muitos outros), vendem-se via internet directamente da China, em milhares de outros sites por todo o mundo e em grupos locais do facebook, (há sempre oportunistas que tentam ganhar uns cobres à custa dos mais incautos). Algumas das questões que se colocam são:

– Será que o material contrafeito é igual ao original?

– Manterá o material contrafeito as características técnicas do original?

– Durará o mesmo tempo/quilómetros o material contrafeito que o original?

Foi a estas e outras questões que o site Trail Running Review tentou responder, efectuando um teste e respectiva comparação entre uns Salomon SpeedCross 3 verdadeiros e outros contrafeitos. Podem ler todo o artigo e testes clicando aqui.

Leiam, percebam as diferenças, e quando vos aparecer um negócio da China que vos oferece uns ténis a um terço do preço original, lembrem-se deste artigo e desconfiem de alguma coisa.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Ainda os Abutres (e a hipotermia)

Não participei nos famosos Trilhos dos Abutres 2015, mas já tanto li, vi e ouvi sobre esta prova que é quase como se lá estivesse estado. Esta prova de 50Km, para quem não sabe, caracteriza-se por ser uma prova dura, com muita dificuldade técnica, em plena Serra da Lousã. Quando há condições climatéricas adversas, o que aconteceu este ano, com muita chuva nos dias anteriores e no dia da prova, os trilhos transforma-me em verdadeiras pistas de lama, e os cursos de água que num dia normal se atravessam sem problema transformam-se em verdadeiros desafios aquáticos para atravessar. Se também considerarmos a baixa temperatura atmosférica que se fez sentir, pode-se afirmar que o grau de dificuldade aumentou grandemente face a um dia em condições normais. Por este motivo muitos atletas, cerca de 40%, foram barrados numa das barreiras horárias impostas pela organização, não podendo assim completar a sua prova até ao fim.

Muitas criticas se levantaram contra a organização da prova, por esta ser intransigente e inflexível no cumprimento deste ponto do regulamento, cujo âmbito me parece mais para proteger os atletas de eventuais acidentes, do que as organizações por terem de esperar mais uns minutos ou umas horas pelos atletas.

Não fazendo eu parte desta ou de qualquer outra organização de provas, a minha opinião é a de que as organizações devem cumprir os regulamentos, sejam eles quais forem. Cabe aos atletas, antes de se inscreverem, lerem, avaliarem e concordarem os ditos, e se considerarem que estão em condições de completar o desafio proposto nas condições apresentadas, então sim inscreverem-se. Infelizmente o que observo cada vez mais, é atletas sem a preparação adequada tentarem completar desafios difíceis sem terem a noção daquilo a que se propõem fazer, e sem lerem sequer uma única vez o regulamento das provas.

No caso particular do Trilho dos Abutres 2015, li relatos de atletas que foram barrados por chegarem com 5 segundos de atraso, mas também li muitas e muitas reclamações de atletas que chegaram ao controlo com mais de 1 hora de atraso, reclamações que me parecem algo insensatas, até face às condições atmosféricas e do terreno da prova naquele dia. Um dos relatos que li e que demonstra bem que a esta organização agiu correctamente é partilhado no blogue quarenta e dois ponto dois que podem ler clicando aqui.

Outro ponto que me impressionou nas coisas que li e ouvi sobre esta prova, foram os diversos relatos de princípio de hipotermia que muitos atletas descreveram. Tal deveu-se à falta de equipamento adequado e à falta de sensibilidade de muitos atletas para as condições de frio e chuva que se faziam sentir. Como se costuma dizer, quem vai para o mar avia-se em terra, e se vamos para a serra ou montanha, e com condições atmosféricas muito adversas, todos os cuidados são poucos.

Primeiros Socorros em caso de hipotermia (Em espanhol mas foi o que se arranjou)

Há sobretudo que planear bem as provas em que participamos, para minimizar todos os riscos que possam ocorrer durante as mesmas, condições atmosféricas incluídas.

Um dos acessórios que transporto comigo em provas ou treinos em que sei que a temperatura pode vir a ser um problema é o Thermo Pad, um saquinho que pesa 30 ou 40 gramas, e que se activa naturalmente aquecendo as mãos até 8 horas, com temperaturas que podem ir até aos 65º!!! É só tirar da embalagem, sacudir, apertar na mão e/ou colocar dentro das luvas e já está. Aquecemos as mãos num instante, e minimizam-se os problemas térmicos que geralmente começam por afectar as extremidades.

Thermopad

E quanto custa esta maravilha da técnica? Menos de 2 Euros na generalidade dos sites que o comercializam. Podem ir ao site original do produto clicando aqui.

Continuação de bons treinos e boas provas (sempre em segurança 😉 )!!!

Preparar o Inatel Piodão Trail Running

A três dias do Inatel Piodão Trail Running, constato que há muitos amigos e participantes que ainda não sabem bem como deverão encarar as condições meteorológicas que iremos apanhar na média montanha.
Próximo destino: Piodão
Os conselhos e partilha de informações pelos atletas mais experientes fazem parte do processo de aprendizagem dos atletas menos experientes. Estes conselhos podem ser muito importantes nas opções a tomar antes da prova e influenciar não só o desempenho durante a corrida mas também o sucesso no resultado final.

Aqui ficam dois conselhos que considero importantes e que deverão ser levados em conta:

“O vento gelado que se faz sentir nas cristas da serra, adicionado ao corpo molhado pela chuva ou pelo suor, são factores a ter em conta, também fazer uma prova com o esforço controlado não ir ao limite, previne a hipotermia, que geralmente se dá quando todas as reservas energéticas estão esgotadas…outro conselho, é abastecer bem nos abastecimentos e só sair quando se sentir em condições físicas e mentais para ultrapassar os obstáculos que vão ter pela frente, clima e o traçado do terreno em particular os 50km….”, conselho do experiente atleta Vitorino Coragem.
Perfil altimétrico da prova de 50 Km
“Próximo destino…. Piódão….
Com o vestuário para enfrentar temperaturas negativas em média Montanha.
Gorro, Luvas, Buff, meias altas de lã, manta térmica, Corta-vento com forro polar, calças, comida e bebida energética, mochila, telemóvel.
Prevendo-se queda de neve a partir dos 1200 metros nos próximos dias, vamos passar por três picos a cima desta altitude, Colcurinho, S. Pedro do Açor, Pico de Cebola…. e ali a Serra da Estrela tão perto…
Aliás é o material que te aconselho para o Trail Inatel Piódão…”, conselho do experiente atleta Rui Simões.
Perfil altimétrico da prova de 21 Km
E é isto, ou como se costuma dizer: quem vai para o mar avia-se em terra.

Podem consultar toda a informação da prova no site da mesma clicando aqui. Lá encontram informação sobre o secretariado, material obrigatório, abastecimentos, etc., etc..

Será que vai nevar no próximo sábado?
Continuação de bons treinos e até Sábado no Piodão!!!

Treino Nocturno – Get Ready for UTSM

O mote para o treino começava com:
“Com a aproximação de Grandes desafios, impõem-se Grandes treinos.
A proposta apresentada tem como objectivo principal testar o Equipamento e a Máquina para o MIUT, mas também serve para o UTSM, OMD e afins…”

Objectivo para 2014 concluir o UTSM – check!
Necessário testar o equipamento – check!
Necessário testar a máquina num desafio ambicioso – check!

Respondido o quiz da morte com 100% de respostas positivas, que decisão haveria a tomar senão a de participar neste enorme desafio?!

O Vargas ainda estava meio dentro meio fora e aqui o João Mata ainda se ria!!!

E digo enorme desafio porque o proposto era um treino de 55 Kms, com mais de 2500 metros de desnível positivo, a acompanhar alguns craques do pelotão no que às Ultra Maratonas diz respeito, num treino a começar à meia-noite para simular o início do MIUT e do UTSM.


E assim à hora combinada, meia-noite, lá estava no meeting point combinado, o bonito Palácio Nacional de Sintra. Feitos os cumprimentos e apresentações da praxe, o grupo de cerca de 20 atletas lá partiu para as entranhas da Serra de Sintra.

A noite esteve sempre fabulosa! Lua cheia e uma temperatura muito agradável para correr, pelo que nunca foram necessários casacos, luvas ou outros acessórios para o frio. O cenário apresentava-se perfeito para um excelente treino.

O percurso foi sempre espectacular, com passagem por trilhos e por paisagens fabulosas. Não faço ideia do nome de todos os sítios por onde passámos, mas o percurso que fizemos está aqui para quem gosta de ver estas coisas:

http://www.strava.com/activities/121060316/embed/a82ad7a1dc7ae985d419d535f8e75302eedbfc6b

A imagem que me ficou na memória foi a de algures ali para o Guincho, olhar para o mar, e ver a lua reflectida nas águas calmas do atlântico, e a iluminar uma fileira de árvores no cimo da falésia. Excelente imagem a preto e branco e daquelas que dava uma fotografia muito bonita.
Uma das paisagens que observámos.Crédito de todas as fotos: Paulo Pires.

Voltando ao treino, apanhou-se um pouco de tudo, incluindo saltar muros, vedações, ou passar por cima ou por baixo de portões trancados, em percursos quase sempre de terra, mas também alguns quilómetros com empedrado, e ainda alguns locais com muita pedra. As subidas, essas foram mais do que muitas, e reflectiram-se nos mais de 2300 metros de desnível positivo com que terminámos.

O portão não abria mas há sempre solução. Uns foram por cima outros foram por baixo 🙂

Por volta dos 32 Km, seriam umas 5 e picos da manhã, o grupo dividiu-se. Uns por encontrarem já empenados e outros por falta de tempo para fazer o percurso mais longo, decidiram ficar pela Malveira onde tinham carros à espera. Os resistentes seguiram pelo meio dos trilhos e logo com uma subida de respeito, a famosa “sai de gatas”, que confesso custou um bocadinho a subir, mas foi apenas mais um entre desafios. Depois mais trilhos, mais subidas, mais descidas, e com o tempo a passar muito depressa optou-se por encurtar um pouco o treino, tendo este terminado com 50 Km e não com os 55 Km inicialmente previstos. Eram cerca das 8h10 quando chegámos novamente a Sintra e ainda tivemos de esperar que a Piriquita abrisse às 8h30, para repor calorias com uns belos Travesseiro.

Foi um excelente treino, a primeira vez que corri 50 Km e dar muita confiança para as provas que aí vêm: UT do Piodão, Gerês Trail Adventure e claro o UTSM.

Só posso agradecer a todos os que participantes e em particular ao Didier que organizou o treino, pela boa disposição constante e pelos espectaculares momentos que passámos a correr madrugada fora.
Os companheiros de treino. A vista do pessoal a subir e a iluminar o caminho é sempre espectacular!

No que diz respeito aos testes de equipamento e da máquina, os resultados foram bastante positivos.


A mochila Raidlight Ultra Olmo mostrou-se bastante confortável e prática ao longo de todo o percurso, nunca se fazendo sentir os cerca de 4 Kg extra que levava às costas.

O relógio A-Rival Spoq 100, sempre a registar segundo a segundo toda a informação. Track carregado, sempre a mostrar informação clara acerca do percurso, e no final das 8 horas de corrida a bateria mostrava ainda 70% de capacidade disponível.

O frontal Led Senser H7R.2 simplesmente espectacular. Sempre a funcionar até pouco depois das 6 da manhã quando o clarear o tornou desnecessário, e sem grande gestão da luminosidade, sempre que era necessário acelerar mais um pouco os 300 lumens eram sempre imprescindíveis para evitar qualquer percalço, nem chegou a dar o primeiro aviso de bateria descarregada. É sem dúvida uma grande mais-valia para correr à noite.

A alimentação: alguns pormenores a afinar, mas o correr em grupo e com atletas melhores que nós também não permitem uma gestão da corrida com os nossos timings. Por volta das 6h começou a dar-me a fome e deveria ter parado 10 minutos para comer uma das sandes de presunto que tinha comigo. Mas como não parámos, não consegui comer a não ser umas barras que também levava comigo até chegarmos até Sintra. Desta vez não houve dores de barriga, a hidratação foi boa, e com uma gestão da corrida mais personalizada em principio este é um ponto que está sob controlo.
Eu, o Vargas e o Mata. O Mata já estava a olhar para o relógio e a pensar que estava na hora de se ir deitar 🙂

A máquina: Foi a primeira vez que corri 50 Km e senti-me bastante bem. É claro que a performance está longe ser a melhor, mas comecei nos trails há 3 meses pelo que há muita margem de progressão para melhorar. As subidas continuam a ser o ponto menos forte, mas com mais treino este aspecto melhorará. A descer e em plano não há grande problema e foi bom chegar aos 50 Km e perceber que poderia continuar por mais quilómetros sem qualquer problema. A gestão do esforço durante a corrida continua a ser talvez o meu ponto forte, e neste treino não foi diferente, e sem grandes aventuras de ritmo senti-me bem e confortável ao longo de todo o percurso.

Eu e o Vargas, a brilhar algures no meio do treino.

Um abraço especial para o Vargas e para o Mata, o primeiro porque vai ser o meu companheiro de aventuras nos três desafios que se seguem, e que foi convencido por mim a vir a este treino que completou igualmente com sucesso. E o Mata que se deixou convencer pelo Vargas a vir também treinar, e que terminou pelos 32 Km já com alguma dificuldade, mas é claro, melhores treinos e provas virão.


Continuação de bons treinos e de melhores provas!!!

A solução para transportar chaves, dinheiro e cartões

Uma coisa que me incomoda no treino e nas corridas é ter de correr com coisas dispensáveis à corrida, mas que por um motivo ou por outro têm de ser transportadas comigo, tipo as chaves de casa ou do carro, notas ou moedas, bilhetes de transportes, ou outros objectos de uso quotidiano que nos farão sempre falta. Como não gosto de andar com bolsas à cintura, o destino é sempre o mesmo, o bolso dos calções.

O auge desta irritação aconteceu há pouco mais de um ano por altura da minha participação na Meia Maratona de Lisboa, em que por motivo de ter ficado preso no trânsito, vi-me obrigado a correr para o metro para chegar à partida a horas. Resultado, um bilhete de metro e mais umas moedas soltas para o bolso dos calções. O que parece uma acção inofensiva na realidade não o é de todo. Ir a correr durante 21 Km com moedas a chocalhar o tempo todo num bolso é, para mim, de “cortar os pulsos”. Já para não falar no bilhete de metro que à chegada estava simplesmente “esfarinhado” e claro inutilizado para usos futuros. Desde então que procurei alternativas para transportar este tipo de objectos da maneira mais segura possível, tendo optado por um pequeno saco de plástico com fecho que permitia colocar a chave do carro, uma nota e um ou dois cartões sem o perigo de os danificar. 
Não sendo a solução perfeita resolveu em parte o meu problema… Até que descobri a Lockbox.
A lockbox na minha mão
A Lockbox é uma carteira de silicone, que pesa apenas 65 gramas, e que permite transportar confortavelmente no bolso dos calções (ou outro), chaves, notas e moedas e cartões. Tudo arrumadinho nos locais próprios, sem chocalhos e, sem água ou suor que dê cabo de notas, cartões ou bilhetes.
A Lockbox e o futuro conteúdo para este teste: 2 moedas, 1 nota, a chave do carro e dois cartões

As dimensões são as mínimas e necessárias ao transporte destes objectos, 99x61x19, segundo o fabricante. O fecho é bastante seguro, tipo jaw lock, e até agora a lockbox nunca se abriu em qualquer treino em que a utilizei e parece-me quase uma impossibilidade isso poder acontecer.

A lockbox aberta, com o espaço para moedas e cartões à direita, e chaves e notas à esquerda
Eu adquiri em preto mas há cores para todos os gostos. Há modelos desde 19,90 € o que não sendo barato também não me parece caro, se considerarmos que uma bolsa de telemóvel para corrida das mais económicas custa 9 ou 10 Euros.
Tudo encaixa na perfeição
Design e funcionalidade excelentes, utilidade (para mim) excelente e preço bastante razoável. É sem dúvida um acessório que recomendo para quem se revê com os problemas que identifiquei no início desta análise.
Objectos no interior da lockbox e ainda cabiam mais…
Este produto pode ser adquirido online no site do fabricante em http://www.lockbox.eu/

Continuação de bons treinos e melhores corridas!!!