Mr. Bean na Passadeira

Não há nada como sair para a rua e correr. A sensação de experimentar os elementos, sentir a chuva a bater na cara, atravessar um riacho, sentir o calor do sol no pescoço e nas costas, sentir os pés a afundar na neve ou na areia da praia, são sensações únicas e que me deslumbram nos diversos circuitos que uso para correr.

Os pisos encharcados depois de um dia chuva e um tornozelo ainda queixoso recomendavam prudência, e talvez o adiar do treino de 16Km previsto no plano para o dia de anteontem. Como a contagem decrescente para o MIUT não pára pensei numa alternativa para fazer o treino em segurança, e já que ia ao Kalorias pareceu-me que a solução seria fazer os 16 Km numa das passadeiras lá do ginásio. E se melhor o pensei melhor o fiz, chego ao Kalorias e toca a saltar para a primeira passadeira disponível, e foi neste momento que me comecei a sentir um verdadeiro Mr. Bean na passadeira…

Olho para a consola da passadeira e penso qual seria o treino que me apetece fazer. Diversas opções disponíveis, do treino rolante ao escalar uma montanha, tudo é possível. Pensei: “já que tenho de correr 16Km e isto na passadeira é mais mole que correr na rua, aproveito e testo o tornozelo na inclinação e velocidade”. E assim fiz, pareceu-me que a opção de corrida óbvia seria a “Random Hill” e toca a inserir os dados de configuração: velocidade máxima pretendida, inclinação máxima pretendida, peso, idade e duração do treino. Pareceu-me que o tornozelo se aguentaria bem a 5 min/km pelo que estimei 80 minutos para o meu treino de passadeira. Introduzo a velocidade, inclinação, peso, idade e os tais 80 minutos. Teclo 80 e o mostrador passa para 60. Pensei para os meus botões: “estupido, carregaste no 6 em vez do 8”, e enquanto pensei a passadeira começa a mover-se… Toca a parar tudo. STOP, paragem de emergência, e toca a introduzir os dados de novo: random Hill, velocidade, inclinação, peso, idade e 80 minutos, e o raio da passadeira passa de novo para os 60! Enquanto pensava de novo para os meus botões a passadeira começou a mover-se e toca a parar tudo de novo. Parei e pensei: “querem ver que o raio da passadeira não dá para mais que 60 minutos!? Não pode ser… “. Entretanto sou abordado por um instrutor estagiário que se foi apresentar, estivemos cinco minutos na conversa, e quando retomei o treino as palavras que tinha na mente eram “não pode ser…” e repeti tudo de novo na terceira tentativa. Random Hill, velocidade, inclinação, peso, idade e 80 minutos, e o raio da passadeira mete 60 e começa a rolar, e eu a começar a ficar com uma espécie de raiva, carreguei de novo no STOP e parei tudo de novo. Como por defeito sou uma pessoa optimista pensei: “Não vais ser mais teimosa que eu, vou escolher o modo manual e vais fazer o que eu quiser”, e assim fiz. Modo Manual, velocidade, inclinação, peso, idade e 80 minutos, e não é que a teimosa da passadeira me apresenta de novo 60 minutos! Já tinham passado uns bons 15 minutos e quilómetros 0, o treino não estava mesmo a começar bem. Entretanto a passadeira começa a rolar… Toca a para tudo de novo, respirei fundo e estupidamente pensei que tinha de haver maneira de seleccionar 80 minutos. Começo a vasculhar as opções de treino na consola e enquanto pensava nas diversas opções, a passadeira começa a rolar… Cansado desta luta de vitória improvável pensei: “que se lixe, vou mas é correr e depois logo se vê”. Como acabei não seleccionando nenhuma opção a passadeira marcou, não 80, nem 60, mas sim 20 minutos, e resignei-me a esta sorte, convicto que o iria repetir as vezes necessárias até fazer os 80 minutos de treino, a passadeira podia ganhar uma batalha mas não iria ganhar a guerra.

A atravessar um riacho no I Trail do Fluviário de Mora

Lá corri os 20 minutos, brincando com diversas velocidades e inclinações, chegando ao fim do tempo com pouco mais de 4 Km. O que faço agora pensei eu, ainda faltavam 12 Km para o objectivo, pelo que me pareceu óbvio: Random Hill, velocidade, inclinação, peso, idade e desta vez 60 minutos. A passadeira começa a rolar. Rola, rola, mas sempre muito abaixo dos 5min/km que tinha indicado como velocidade máxima, tão abaixo que apenas me permitia caminhar em passo não muito rápido. A inclinação continuava no 0 apesar de ter indicado 20 como inclinação máxima. Desta vez decidi esperar pelo que acontecia e aguardar pelas surpresas do Random Hill. Um minuto, dois minutos, e nem o ritmo nem a inclinação se alteraram. Começo a carregar nos botões da velocidade e da inclinação para criar alguma emoção e lá consegui finalmente correr. Há minha frente um LCD passa o jogo da Liga dos Campeões entre o Mónaco e o Arsenal. Cinco minutos de treino e a passadeira parece ganhar vida, acelera um pouco e eu acelerei também. Na TV o Arsenal carregava sobre o Mónaco enquanto eu corria. De repente a passadeira abranda, dei um passo mais rápido e com a barriga carreguei no “STOP”, o tal botão que para tudo de emergência. Tinha corrido pouco mais de dois quilómetros. Dei-me por vencido e desta vez deixei a passadeira ganhar a guerra. Desci da passadeira, alonguei e fui para o banho.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

V Meia Maratona na Areia

Mais um fim-de-semana e mais uma prova, desta vez a 5ª edição da Meia Maratona na Areia, organizada pela Associação Desportiva O Mundo da Corrida.

Depois dos 30 Km do último fim-de-semana, este foi o último treino com uma quilometragem relativamente longa inserida na preparação da Maratona do Luxemburgo, a prova que se segue no cardápio. Para além de servir para rodar para o Luxemburgo, serviu igualmente como uma primeira abordagem para a Ultra Maratona Atlântica que há-de chegar em Julho.
A partida da prova de hoje
Continuo a não gostar de provas de manhã cedo, e esta não foi excepção. O início às 9h30 obrigou-me a acordar por volta das 7h00 para preparar a logística, e prevendo-se um dia de calor, antecipar o eventual trânsito que existisse no sentido Lisboa – Costa da Caparica. Apanhei para uma boleia o Luís Moura nas Amoreiras e lá fomos nós rumo à Costa da Caparica para a Meia na Areia onde chegámos pouco depois das 8h00.

A organização esteve impecável, e por volta das 8h30 já tinha o meu dorsal e o do João Vargas, que desta vez fez o favor de aparecer para a representação do ACCVCAVI não ser novamente órfã. Até à hora da partida foi tempo de por a conversa em dia com os múltiplos amigos das corridas que participaram nesta prova e fazer um curto aquecimento.
A Meia Maratona na Areia consiste numa corrida pela praia, com início na Costa da Caparica, ida até cerca de 1 Km depois da praia da Fonte da Telha e regresso à Costa da Caparica. Isto no período da maré vazia, o que ajuda a areia molhada a perecer um tapete e permite rolar com alguma facilidade. Mas como nem tudo são facilidades, no regresso da Fonte da Telha o vento de Norte fez-se sentir bem forte, não permitindo realizar grandes tempos.

Corre corre, que a areia está molhada e fofa!!
 A corrida em si não teve grande história: uma corrida de manhã (o que para mim é sempre difícil), após uma semana de trabalho intensiva, e com treinos durante a semana, não me permitiam ambicionar mais do que rolar calmamente, e foi isso que aconteceu. Na primeira parte de corrida ao sabor do vento fui num ritmo calmo mas mais rápido, no regresso contra o vento o ritmo manteve-se calmo mas mais lento, sempre acima dos 6min/km.
 Para os números, o meu relógio marcou 2h07’46”, o que não sendo um tempo famoso (após 8 Meias Maratonas abaixo das 2h00), nas condições do dia de hoje acabou por não ser mau de todo e considero que foi uma excelente experiência.
O amigo Vargas, com os seus pés de pato novos (leia-se com uns Vibram Five Fingers), terminou em 1h44’33”, o que foi um excelente tempo e correspondeu ao 15º posto do seu escalão e ao 83º da geral. Já eu fiquei pelo 63ºlugar do meu escalão e 300º da geral.

A classificação ACCVCAVI 🙂

No final a organização ofereceu uma lembrança alusiva à prova, houve água e fruta com fartura, e quem quisesse podia ainda degustar uma Super Bock Stout fresquinha o que satisfez dezenas de atletas. Uma nota ainda para os abastecimentos durante a prova, que foram em número e quantidade suficientes para matar a sede de todos os atletas. Já o civismo destes últimos ficou um pouco aquém das expectativas  Se numa prova de estrada poderá ser relativamente fácil apanhar o lixo (sobretudo garrafas de plástico vazias) ao longo do percurso, numa prova com as características de hoje, corrida numa praia de larga amplitude e onde não existe uma trajectória definida que delimite a coluna de atletas, estes deveriam ter mais cuidado e deixar as suas garrafas vazias perto dos pontos de abastecimento para uma fácil recolha e não poluir a praia. Infelizmente constatei que ficaram centenas de garrafas espalhadas pela praia, muitas delas que provavelmente seriam engolidas pelo mar antes que houvesse tempo de alguém as apanhar. Um ponto a rever e a relembrar a todos os atletas antes da prova.


Boas corridas para todos!!!

Oh Meu Deus – 100 Milhas ou 160 Km

Teve inicio ontem, sexta-feira, às 18 horas, a terceira etapa da prova Oh Meu Deus, uma prova de Ultra Trail com a distância de 100 milhas, que é como quem diz 160 quilómetros. 

O Bruno Santos, um dos membros do Ai Cristo Cristo Vem Cá Abaixo Ver Isto, está a participar nesta prova e desejamos-lhe toda a força nas pernas do mundo, que empenho e força de vontade já ele tem com fartura.
Esta é a estreia do Bruno numa prova desta distância, 160 Km, com um desnível positivo de aproximadamente 7000 metros, e para ser finalizada no máximo de 46 horas.


Acompanhar a preparação de um amigo para uma prova destas à distância, dá-nos uma perspectiva talvez bem diferente do que lhe possa ir na alma.
Os seus treinos foram duros e dedicados, mas uma prova em plena Serra da Estrela, com todos os imponderáveis que esta Serra tem, de dia e de noite, leva certamente a que se sinta um aperto no estômago não imediatamente antes da partida, mas dois ou três dias antes da mesma.

Podem acompanhar a prova do Bruno (e dos outros atletas) clicando aqui: Oh Meu Deus #3 – Siga em Directo.

Para já desejamos-lhe toda a sorte do mundo e que acabe a prova sem grandes mazelas físicas.

Força Bruno!

Oh Meu Deus #3 – 160 Km

Treino ao Sol-Pôr

Finalmente chegaram, (até ver), os finais de tarde solarengos. São os finais de tarde onde dá realmente prazer fazer uma corrida à beira Tejo, a ouvir as ondas rebentarem na praia, e ver o sol-pôr lá por detrás de Cascais.

Hoje finalmente aconteceu um desses dias! 
Pôr do Sol visto do Passeio Marítimo de Oeiras – Imagem do Blog http://paredaoeiras.blogspot.pt

Final de tarde, fim de mais um dia de trabalho intenso, trocar o fato pelos calções e t-shirt, e estacionar no início (ou fim) do Paredão de Oeiras. O plano de treinos indicava 1h50 de corrida em ritmo moderado, e assim fiz. Passada moderada, a apreciar a paisagem e a constatar que uma verdadeira multidão invadiu o Paredão de Oeiras, fosse para ir à praia, para caminhar, andar de patins ou bicicleta, ou correr. Esta estrela tão distante de nome Sol, estava mesmo a fazer falta a muitos de nós. 

A maré estava de feição para os surfistas e bodyboarders, e o mar da praia de Carcavelos estava cheio destes saudáveis desportistas.

Fui apreciando a paisagem, a beleza das cores do sol reflectidas no mar e o céu azul mas já a caminhar para o lusco-fusco, e sem dar por ela atingi a metade do meu treino algures entre a Parede e São João do Estoril. Voltei para trás, de regresso ao ponto de partida.

Mais um treino realizado, com muito boa disposição e a boa companhia do amigo Sol que andava desaparecido há uns (longos) dias.

Para os mais curiosos destas coisas, podem consultar aqui o track do Treino Sol-Pôr

23ª Meia Maratona de Lisboa – 2013

Foto do site oficial da Meia Maratona de Lisboa
A Meia Maratona de Lisboa tem um significado especial para mim, pois foi há precisamente um ano nesta prova, que corri pela primeira vez a distância de 21 Km. Esta prova, em 2012, foi a minha terceira corrida desta curta “carreira” desportiva, (depois da Corrida do Tejo 2011 e São Silvestre de Lisboa 2011, ambas de 10 Km), o que me leva a questionar: quanto vale um ano de treinos e corridas?


A prova

Apesar de ter um significado especial por ter sido a minha estreia na distância, está longe de ser uma das minhas provas favoritas. A logística de pré corrida tem de estar afinada; há muitos participantes quer da Meia quer da Mini, e a ponte não é assim tão larga para uma partida confortável para todos os ritmos. O percurso é agradável, mas com muitas zonas estreitas o que dificulta quem corre no meio do pelotão, pois é necessário desacelerar para não atropelar outros participantes, perdendo-se assim algum tempo. Ainda assim e no que diz respeito à zona da Partida no garrafão da Ponte, este ano pareceu-me que foram introduzidas melhorias nos acessos e zonas de partida propriamente dita, beneficiando os participantes da Meia Maratona.


O equipamento e os zingarelhos

Foto do site oficial da Meia Maratona de Lisboa
Há um ano era a minha estreia na distância e, apesar de confiante de que ia acabar nem que fosse a rastejar, o nervoso miudinho da estreia faz-nos sempre pensar em como será correr 21 Km. Um ano depois, a certeza de que acabaria a corrida era de 100%, excepto se algum imprevisto acontecesse durante a prova. Arrisquei até tentar correr para um novo PBT, o que não veio a acontecer.
Em 2012 era tão verdinho nestas coisas das corridas, que com medo da chuva resolvi correr de camisola de inverno e de manga comprida. Como extra levava ainda uma cinta de aquecimento, pois não gostava de sentir o “pneu” aos saltos enquanto corria! Esta combinação veio a mostrar-se um erro tremendo, pois a meio da prova o sol apareceu em força, e metade da prova foi suar e desidratar a uma velocidade bem mais rápida do que aquela a que conseguia correr. Este ano foi tudo mais tranquilo, com o tradicional calção, t-shirt de corrida e nada mais. Novamente este ano o tempo foi diverso: chuva, vento, sol e calor, mas uma t-shirt de corrida chega e sobra para todas as variantes climatéricas.
Os zingarelhos que utilizo também mudaram radicalmente de 2012 para 2013. Há um ano acompanhou-me o meu telefone com a aplicação Adidas Micoach. Era neste conjunto que fazia fé para fazer uma boa corrida! Para um rookie das corridas, ter uma treinadora ao ouvido a informar-nos se devemos acelerar ou desacelerar, e termos a noção exacta do ritmo que levamos e se está de acordo com o que foi treinado ou não, é uma mais-valia que só quem não conhece não pode apreciar. Pois para meu azar o zingarelho do GPS do telefone deixou de funcionar 300 metros depois da partida e apenas regressou à vida por volta dos 8 km, e mesmo assim apenas se manteve vivo a espaços entre os 8 km e a chegada. Neste capítulo dos zingarelhos fiz uma corrida quase às escuras e possivelmente se tudo tivesse funcionado a 100% poderia ter gerido o esforço duma maneira muito mais eficiente. Este ano troquei o zingarelho telefónico por um relógio com GPS, que apesar de não ter a treinadora ao ouvido a dar-me instruções, permite igualmente ter toda a informação em tempo real e assim gerir melhor a corrida. O GPS do relógio é bem mais sensível que o do telefone, e neste aspecto penso ser uma mais-valia interessante, pois ganhei fiabilidade de informação durante a corrida. Por outro lado após um ano de treinos, a dependência dos zingarelhos já é bem menor, e caso o zingarelho deixasse de funcionar o stress seria agora mínimo.


A corrida

Foto do site oficial da Meia Maratona de Lisboa
Finalmente o que mais interessa, como correu a corrida. Há um ano foi a corrida de estreia e nos poucos meses em que tinha começado esta aventura de correr, teria nas pernas pouco mais de centena e meia de quilómetros. Estava apostado em terminar a corrida e eventualmente conseguir um tempo entre as 2h05 e as 2h15. Comecei a corrida um pouco “abananado” pois as pernas ressentiram-se da hora de espera em que estive no garrafão em pé à espera do tiro de partida, sem me puder mexer e muito menos aquecer. Depois o zingarelho deixou de funcionar e deixou-me às escuras sem poder controlar o ritmo como estava habituado nos treinos. Depois a história do equipamento, que no final já se tornava um verdadeiro martírio. No entanto a vontade de chegar ao fim foi sempre maior, e sem outros sobressaltos dignos de registo terminei a corrida em 2h19’38”, um pouco acima do que tinha previsto inicialmente, mas o sabor de terminar a primeira Meia Maratona sobrepôs-se a qualquer tempo que pudesse ter realizado. Este ano esperava uma corrida tranquila, já com mais sete Meia Maratonas e uma Maratona de experiência, e sobretudo com mais 2000 Km corridos em treinos e provas nas pernas. O meu PBT da Meia Maratona é 1h52’ e arrisquei propor-me o tempo de 1h50 como limite para esta corrida. No entanto após os 5 Km de corrida percebi que não seria hoje que ia baixar o PBT. Por alguma falta de concentração não me conseguia focar no ritmo de corrida, e os 5’10”/Km que tinha apontado como ritmo constante para toda a corrida, teimavam em subir para algo entre os 5’30” e os 6’00”, o que originou toda uma corrida aos repelões e cheia de mudanças de ritmo, o que geralmente não beneficia muito a minha corrida. A multidão desta prova também não ajuda, pois os zigzagues para quem corre no meio do pelotão são uma inevitabilidade do início ao fim da corrida. Acabei assim esta corrida em ritmo de treino e com o tempo de 1h58’06”.


O Alexandre e eu após finalizarmos a Meia Maratona de Lisboa
Em resumo, em um ano de treinos e corridas a melhoria foi de 21’32” o que não deixa de ser significativo. O acumular de quilómetros nas pernas, e a experiência de um ano na preparação de treinos e corridas, na escolha dos equipamentos e dos zingarelhos, revela-se assim de relevante preponderância para quem encara as corridas como objectivos pessoais, sejam eles de cronómetro ou de desenvolvimento pessoal. Citando Oscar Wild, a experiência é o nome que damos aos nossos erros, e sem dúvida que um ano nos permite adquirir muito conhecimento e corrigir muitos erros.
  
Continuação de bons treinos e boas corridas!

Começar a correr

Começar a correr…

As primeiras semanas foram como se tivesse morrido. Depois… bem, depois foi como se tivesse renascido!

É difícil atingir um objectivo sem sacrifícios. O meu objectivo começou por ser, e ainda é, perder os quilos que transporto a mais.
No longínquo 2010, algures antes do Verão, comecei esta luta. Com muita (alguma) vontade e outro tanto de determinação. Lembro-me que o meu primeiro treino foi no Paredão de Oeiras, 3,5 Km para cada lado. Sentia-me tão bem que decidi algures durante o treino que ia correr o paredão todo. Resultado, se corri os primeiros 3,5 Km, voltar para trás foi uma aventura e demorou uma eternidade. Foi a passo e demorei quase duas horas para fazer esses 7 Kms!!!

A minha estreia em corridas 🙂
Passou o verão e os treinos que fiz resultaram na perda dos quilinhos extra do extra que já tinha na altura. Motivador, mas correr para mim sempre foi chato e aborrecido, e nada melhor do que a chegada do frio e da chuva, para arranjar um bom motivo para fazer uma pausa nos treinos. Primeiro durou um dia, depois uma semana, depois chegou o Natal, a seguir a passagem de Ano, depois o Carnaval, a Páscoa e por aí fora, e quando dei por ela os quilos extra do extra não só tinham regressado, como trouxeram por afinidade outros quilinhos amigos extra do extra do extra. Na realidade passou um ano entre a meia dúzia de treinos que fiz em 2010 até começar a correr de novo em Outubro de 2011.

O que mudou entretanto? Apenas um clique. O que em 2010 era uma intenção, em 2011 transformou-se num objectivo, e decidi que iria fazer os sacrifícios necessários para cumprir esse objectivo. Adquiri um zingarelho para monitorizar os meus treinos, o famoso Adidas Micoach, e comecei a participar em corridas. Estreei-me nos 10Km da Corrida do Tejo de 2011, com literalmente meia dúzia de treinos nas pernas. A alegria de cortar a meta foi indescritível, mas quando ao cortar a meta olhei para o cronómetro e vi 1h02, imediatamente defini o objectivo seguinte: correr os 10km em menos de uma hora. O novo objectivo foi concretizado dois meses depois na São Silvestre de Lisboa, onde tirei cercar de 6 minutos ao meu tempo de estreia nos 10Km. E é assim que de corrida em corrida e de objectivo em objectivo, tenho continuado a correr e a perseguir o objectivo principal, o tal de perder os quilos extra.

Sacrifícios, sim são necessários. Primeiro aprendi a viver morto-vivo nos primeiros meses de treinos. Depois tive de trocar muitas jantaradas, saídas com amigos, eventos, aniversários, tempo com a família, e outras actividades que habitualmente fazia, por horas de treino, alimentação mais saudável e descanso. Na prática tive de redefinir um novo equilíbrio pessoal e relacional com todos os meus amigos, família e até comigo próprio, tarefa que acreditem que não foi/é fácil.
O último objectivo cumprido: correr uma maratona.
Por outro lado a sensação de ter renascido ao fim de uns meses de treinos e o sabor indescritível de cumprir os objectivos a que me proponho, são a motivação que me levam a correr todos os dias um bocadinho mais ou um pouco mais depressa. Sem pressões e sem loucuras, dando pequenos passos de cada vez e cruzando metas todos os dias em busca do objectivo final.

As primeiras semanas foram como se tivesse morrido. Depois… bem, depois foi como se tivesse renascido!