Serviços mínimos

O ano passado por esta altura, estava num nível de forma muito bom para mim, o que foi sustentado pelos resultados que obtive no Grande Trail Serra d’Arga, na Maratona do Porto e no Arrábida Ultra Trail. Este ano, fruto do azar de duas entorses num dos tornozelos, tenho feito bastantes quilómetros em treino, mas com bastantes quebras no plano de treinos e longe da intensidade que pretendia para continuar a melhorar os meus resultados. É neste cenário que olho para o lado e constato que grande parte dos meus amigos atletas está num momento de forma invejável.

Grande Trail Serra d'Arga

É vê-los a fazer tempos na casa da 1h30 na Meia Maratona das Lampas, é vê-los a percorrerem o Tor de Geants com grande nível, é vê-los aplicados nos treinos e a preparar os próximos desafios com grande intensidade, e é constatar que dificilmente conseguirei acompanhar o ritmo de quase todos eles nos desafios que se avizinham, o Grande Trail Serra d’Arga e o UTAX. 2015 tem sido um ano de serviços mínimos, simplesmente completar os desafios a que me propus. Resta continuar a treinar e esperar que 2016 me reserve melhor sorte no que diz respeito a lesões, para poder treinar com intensidade e continuar a melhorar os resultados.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Então e a festa pá?

Tenho assistido com alguma curiosidade a diversas discussões, sobretudo nas redes sociais, sobre os resultados dos atletas mais lentos nas provas a que se propõem realizar, sobretudo nas provas de maiores distâncias como as maratonas de estrada ou nas distâncias Ultra nas provas de trilhos e montanha.

Excursionistas, caminheiros, Zé dos Pincéis ou outros epítetos igualmente simpáticos, de tudo serve para ironizar um pouco com a prestação mais lenta de alguns atletas. E se pensam que esta questão é exclusiva cá dos Tugas estão muito enganados, na nossa vizinha Espanha também há quem “implique” (e bastante) com estes atletas, aludindo até ao facto de que o que dá interesse à competição, (na opinião dessas pessoas), é uma prova renhida e uma chegada com pouca diferença de tempo, se possível ao sprint, isto referindo-se a provas de Ultra Trail imagine-se.

Há assim um conjunto de pessoas, uns meros especuladores, outros meros espectadores, que opinam e gozam, na minha opinião, sobre o melhor ou pior desempenho de outras pessoas, muitas vezes sem nunca se terem atrevido a colocar no papel dessas mesmas pessoas.

Há aqueles que dizem que maratonistas são aqueles que correm os 42Km da maratona abaixo das 3 horas, há outros que por correrem uma prova de 80 ou 100 Km 30 minutos mais rápido que outros, já não consideram estes mais lentos ultramaratonistas. Enfim, há uma panóplia de “gozações” por aí, que efectivamente só servirão ao ego do “gozador”, já que aos verdadeiros “atletas” penso que isso passará verdadeiramente ao lado.

Estas pessoas deviam centrar os seus esforços, não a gozar com os atletas mais lentos mas antes a tentar mudar as organizações das provas já que são estas que decidem o tempo limite para terminar as mesmas.

É usual o tempo limite para terminar uma maratona de estrada ser 6 horas, assim como muitos ultra-trails poderão ir até às 48 ou mais horas, dependendo da distância e do maior ou menor desnível da prova.

Como trabalho com números, resolvi perder cinco minutos do meu tempo para fazer uma análise rápida e grosseira do que poderia mudar nas provas, se as organizações mudassem as regras de acordo com as pretensões destes pseudo opinantes das corridas.

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Comecemos então pela Maratona de Londres 2015, uma das grandes maratonas de nível mundial e com prémios chorudos para os vencedores. Para quem não tem ideia da dimensão da Maratona de Londres, este ano foram 43749 os atletas que finalizaram a prova. Por uma questão de facilidade, utilizei os resultados apenas do escalão masculino onde terminaram a prova 23226 atletas.

O vencedor da prova fez o tempo de 2:15:51. O 10º classificado fez mais 5,2% do que o vencedor. Já o 31ºclassificado, o último atleta de elite a ser classificado fez mais 8,4% do que o tempo vencedor. Até ao 40º lugar todos os atletas ficaram com uma diferença inferior a 10% face ao vencedor.

Aqui começa o aspecto subjectivo da análise. É razoável uma variação de 10% face ao tempo do vencedor para excluir os restantes atletas de uma prova? Ou deveríamos considerar uma variação de 20% e incluir assim cerca 390 atletas para a prova? Se saltarmos para uma variação de 30% já conseguiríamos incluir cerca de 1280 atletas na prova, será isto suficiente? Em qualquer ramo de actividade, uma variação de 30% é, salvo raras excepções, uma variação bastante significativa, pelo que considerando que todos os atletas com resultados superiores a 30% face ao recorde do mundo não pudessem participar nesta prova, teríamos de eliminar cerca de 95% dos atletas do escalão masculino que finalizaram esta prova.

Olhando agora para os resultados do Ultra Trail Mont Blanc de 2014, a prova de trail mais famosa do mundo, com os seus 168 Km e quase 10000 de desnível positivo, quem ficaria impedido de participar caso se aplicassem uns critérios do género dos acima expostos?

Em 2014 finalizaram o UTMB 1582 atletas e o vencedor fez o tempo de 20:11:44. Se considerássemos uma diferença de tempo superior a 10% ao vencedor, fiquem sabendo que apenas poderíamos contar com a participação de 5, sim CINCO, atletas. Por exemplo o 8º classificado de 2014, o nosso bem conhecido e campeoníssimo atleta Carlos Sá, terminou com mais 13% de tempo relativamente ao vencedor. Se considerássemos uma diferença limite de 20%, teria terminado a prova assim que o 21º atleta cruzou a meta, e se a variação máxima fosse 30% a prova terminaria à passagem do 43º atleta. O 100º atleta a cruzar a meta demorou quase mais 50% que o vencedor, e como comecei por referir terminaram a prova 1582 atletas.

Em resumo, se as organizações considerassem as pretensões desse núcleo de opinadores e adoptassem uma regra onde aceitassem apenas a participação de atletas com um tempo nunca superior a 30% relativamente ao ano transacto, veríamos a Maratona de Londres ser reduzida a 5% dos participantes e o UTMB a menos de 3% dos participantes. Façam esta análise a provas menos populares e eventualmente esta percentagem ainda se acentuará mais…

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Pergunto agora eu, são estes 5% de atletas que movem as massas? As transmissões televisivas certamente que sim, mas e o turismo, a divulgação dos países, das regiões, das gentes e do locais, a festa para os atletas e para os espectadores, onde se enquadra tudo isto?

Será essa a vontade das organizações? Pelos vistos não uma vez que de ano para ano os regulamentos das provas não diminuem o tempo para finalizar a prova. Na realidade são esses 95% de excursionistas, caminheiros e Zé dos Pincéis, que suportam financeiramente grande parte de eventos como os que referi e que decididamente fazem a festa acontecer.

Para concluir só tenho duas recomendações, uma para os opinadores: que criem e organizem as suas próprias provas e limitem a participação à meia dúzia de atletas de elite que conseguirem convencer a participar, se o conseguirem… Outra para os excursionistas, caminheiros e Zé dos Pincéis, nos quais me incluo, que terminem sempre dentro dos tempos definidos no regulamento das provas e continuem a participar e a fazer a festa; mais minuto menos minuto, mais hora menos hora, os nossos objectivos são cumpridos e a nossa realização pessoal ninguém a tira.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

O desporto e o negócio

Tive oportunidade de assistir na TVI 24 ao programa “Observatório do Mundo” da passada 5ªfeira às 13h00. A reportagem desse dia versou sobre o desporto e o negócio, e sobre as diversas dificuldades e provações que os grandes atletas sofrem ao longo da carreira e sobretudo após o fim da mesma.

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É na minha opinião uma excelente reportagem e, para quem gosta de desporto e dos seus bastidores, aqui fica a minha recomendação de que a vejam. Versa ao longo do programa tópicos como o fim das carreiras, o dinheiro, o doping, as motivações, as lesões, as consequências de certas escolhas, e a conclusão de que o atleta, é talvez e quase sempre, o elo mais fraco.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

FITNESS MAGIC’15 – 1.ª Convenção de Fitness Kalorias

Porque a vida não é só corrida, há que complementar todo o treino base cardiovascular com outros treinos igualmente importantes como o reforço muscular, treino de core e alongamentos.

No próximo Sábado o Kalorias Linda-a-Velha vai promover a primeira edição do Fitness Magic, um dia único dedicado exclusivamente ao fitness, num evento especial com a participação de 15 profissionais de renome e 8 modalidade de grupo reunidas no mesmo espaço, que irão permitir para além da diversão garantida, treinar outros músculos e a outros ritmos que habitualmente não se treinam durante a corrida.

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Esta é também a oportunidade de conhecer a pista de atletismo do Kalorias…

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Não esquecer levar o fato de banho; a piscina estará aberta a todos os participantes no evento…

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bem como o solário natural no exterior…

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Para se inscreverem neste fantástico evento é seguirem as instruções da imagem em baixo. Utilizando o código FM15RC usufruem de um desconto directo de 15% sobre os valores de inscrição apresentados.

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Apareçam e venham divirtir-se que uma coisa é certa: isto vai DOER!!!!

Continuação de bons treinos e de boas corridas!!!

Reconhecimento ao AUT – 1ª Parte

A minha próxima grande prova será os 80 Km do Arrábida Ultra Trail. O estudo mais ou menos detalhado deste tipo de provas faz já parte da minha rotina pré prova e sendo esta quase ao lado de casa, permite o reconhecimento inloco do terreno e do percurso. Após o reconhecimento dos primeiros 20 Km da prova, fiquei com uma certeza: vai ser uma prova durinha.

A partida do AUT será aqui. Créditos da foto: Pedro Oliveira

Para início de conversa temos logo uma calçada romana para os pés se prepararem para o que ainda há-de vir. Depois há uns single tracks que ora sobem ora descem num piso que prevejo lamacento, a não ser que o verão se aguente até meados de Novembro. Com uma chuvas moderadas o piso ficará normalmente enlameado e se considerar as centenas de atletas que lá passarão antes de mim o cenário será ainda pior.

Pelos entretantos uns troços com muita pedra no piso, o que não ajudará a ganhar velocidade nem a descer nem a subir pois o cuidado de ver onde se pisa terá de ser redobrado.

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Tudo isto interligado com uns troços de ligação de alcatrão onde apetece acelerar para ajudar a limpar a lama dos ténis, e onde quem se distrair com ritmos mais rápidos possivelmente irá pagar mais tarde este esforço inicial, que no principio de uma prova desta distância parece sempre irrelevante.

Ainda há lugar a uns “brindes” como a subida à Vigia e a “escadaria do Bando”. O primeiro brinde deixei para outro dia que ainda há poucos dias por lá passei e hoje o tempo disponível era curto, mas por outro lado foi a minha estreia a subir a escadaria do Bando para a Serra do Louro. E que escadaria… Com tempo seco deve-se subir bem, mas com as travessas de madeira que a compõem todas molhadas como se encontravam hoje, o mais pequeno descuido e pode ser um trambolhão certo.

No total foi um treino de 22 Km em modo muito tranquilo que a semana já vai longa, e que podem ver aqui:

http://www.strava.com/activities/208849790/embed/c4ef9652c7afe04134c48c797b4fdd4455c43d92

Ficam a faltar reconhecer cerca de 65 Km do AUT.

Nota: Não pertenço à organização do AUT e estou apenas a seguir um track que está publicado na internet como sendo desta prova. Não tenho qualquer conhecimento se este percurso é oficial e/ou definitivo.

Continuação de bons treinos!!!