Maratona de Sevilha 2014

Esta maratona, a XXX de Sevilha, não foi tão bem preparada em termos de treino como outras do ano passado, mas longe estaria eu de pensar que me fosse correr tão mal.

O dorsal e a medalha final
Dias antes dizia eu meio a brincar que o objectivo era fazer melhor que a estreia no ano passado, e a realidade é de que esse foi efectivamente o único objectivo conseguido. Em termos práticos tirei 14 minutos ao tempo da Maratona de Sevilha de 2013, mas também fiquei a 18 minutos do meu melhor tempo na maratona, obtido no Porto há três meses atrás. 

A minha mente estava consciente de que o treino não tinha sido o melhor e que dificilmente iria bater as 3h44 do Porto, mas o objectivo íntimo seria conseguir algo entre as 3h45 e as 3h55, conforme o que fosse sentindo durante a corrida. Aliás essa era a única estratégia que tinha delineado para esta prova: ir correndo dentro das minhas possibilidades conforme me fosse sentido.

Acordei bem-disposto com o despertador às 6h00 e tomei o pequeno-almoço dentro do habitual em dias de corrida. Fui para a zona da meta na esperança de encontrar muitos dos amigos que também estavam em Sevilha para correr a maratona, mas acabei por me cruzar apenas com um ou dois, no meio da enorme multidão de atletas, cerca de 9000. Acabei ficando com o José Santos para a partida, o qual fez o favor de desaparecer assim que a prova começou, tal era o ritmo a que ia, bem forte de mais para as minhas pernas. Este malandro acabou por terminar com 3h14, um excelente resultado. Parabéns Zé! Voltando à minha corrida, lá fui os quilómetros iniciais sozinho e num ritmo razoável, cruzando-me aqui e ali com algumas caras conhecidas. Aos 2 Km passou por mim o balão que indicava 3h00. Aquele não era de todo um ritmo para mim e não foi nada que me deixasse preocupado. O balão que indicava 3h30 também passou por mim entre os quilómetros 9 e 10 o que também não me deixou preocupado, pois não era esse a meta que tinha destinado para mim. Por esta altura também passo pela Ângela Costa que está a comentar com o Rui Alegre: “…não vem ninguém para as 3h30…” e nem me viram passar por eles! Serviu para me ir a rir divertido até uns metros mais à frente onde estava a minha mãe a apoiar-me com a bandeira de Portugal com o meu nome. Mais um forcing e mais uns metros corridos, e entretanto cruzo o check point dos 10 Kms em 00:51:49, o que dava um ritmo médio de 5:11/km e uma estimativa de terminar abaixo das 3h40. Ia bem, sentia-me bem, mas sem nunca me esquecer da velha máxima da maratona: se te vais a sentir cansado abranda, se te vais a sentir bem abranda. Ia eu com estas contas e pensamentos, e começo a ouvir atrás de mim: “Embora Nuno Gião, chegou o balão das 3h40”; e lá vinha o Luís Boleto com mais uns amigos a correr para as 3h40. Não foi preciso insistirem muito e lá fui com eles. Afinal o ritmo que levavam era igual ao meu e eu até estava tranquilo e a sentir-me bem, e assim fui com eles até ao quilómetro 20, altura em que o Boleto acelerou mais um pouco e não consegui acompanhar o ritmo. Ainda assim ia completamente dentro do ritmo para as 3h40. Passo a meia maratona e recebo o primeiro sinal do que estaria para vir. Estava algum calor, bebia sempre um pouco de água em todos os abastecimentos, mas parecia que a água que bebi não circulava e acabava por se acumular no intestino. Comecei aqui a sentir dores de barriga, que incomodavam o suficiente para não conseguir manter o ritmo que levava até então. Na Maratona de Lisboa já tinha padecido de um problema análogo. No entanto após 3 ou 4 quilómetros a correr e a conseguir libertar uns “gazes” pelo caminho essas cólicas passaram e consegui ir até ao fim sem parar. Estava na esperança que desta vez o processo fosse igual, no entanto estava difícil de conseguir libertar o tal “gás”. Por volta dos 22/23 Km fui apanhado por dois amigos do Banif/Açoreana que iam no grupo inicial com o Boleto e que entretanto tinham ficado para trás. Fui com eles mais uns quilómetros até perto do Km 25, mas as dores de barriga não só não passavam como teimavam em aumentar, pelo que decidi abrandar mais um pouco para acalmar a “tripa” e decidi que iria tentar ir à casa de banho que existiria no quilómetro 30. A decisão de parar durante uma corrida por um motivo tão estupido como ir aliviar a tripa é sempre uma decisão muito difícil, pelo que entre o quilómetro 25 e o 30 não sei o que me custou mais, se aguentar correr sem me infligir estragos maiores ou ter de decidir “mesmo” parar aos 30 quilómetros. Foi assim nestes pensamentos, que após 2h41 de corrida cruzo o check point dos 30 Km olho para a direita, observo que a casa de banho até está livre e decido entrar.
Quase no fim, a chegar ao Km 38. Foto do Rui Alegre.

Interlúdio

Pertenço ao grupo de pessoas que muito dificilmente utiliza uma casa de banho que não seja de “confiança”, mas já por meia dúzia de vezes tive usar por motivo de força maior estas casas de banho químicas que disponibilizam antes e durante as provas. Ainda assim sou esquisito e tento encontrar uma que esteja mais decente que as outras. Tinha chegado não um motivo de força maior mas ante “o” motivo de força maior, e a escolha era reduzida a uma opção pelo que entrei na opção disponível. Primeiro (e estupido) pensamento: “o gajo que vier a seguir  vai pensar que fui eu que caguei isto tudo”, tal era o estado do meu predecessor que nem sequer conseguiu acertar no buraco, digamos de tamanho normal, onde qualquer pessoas normal se sentaria normalmente. Estes WC também são denominados de WC químicos, e se calhar o tipo, apesar da altura considerável que vai

Maratona dentro da maratona…

entre a sanita e os “químicos” propriamente ditos, deve ter medo que algum calhau caia com mais força, provoque uma onda, e os químicos lhe acertem em algum local mais sensível… Pensamentos estúpidos ultrapassados, foi altura de baixar o calção e fazer uma ginástica para em semi agachamento ter melhor pontaria que o palerma anterior. Entretanto a cabine do dito WC começa a abanar e por momentos, pareceu-me que estava a fazer surf, com os calções nos tornozelos e que aquela porcaria que se ir virar a qualquer momento. Aí é que a merda se ia mesmo entornar!… Calções nos tornozelos, pontaria afinada, e não é que as dores de barriga que me incomodaram fortemente nos nove quilómetros anteriores não queriam expelir nada de nada, nem um gaz mínimo para amostra e que justificasse tão incómoda paragem?! Foram 2 ou 3 minutos assim, e decido desistir, vou agacho-me mais um pouco para puxar os calções para cima e voilá a magia aconteceu! Aconteceu mas foram artes mágicas lentas. Foi uma eternidade de 5 ou 6 minutos até libertar toda a magia que havia em mim. Abro a porta, saio do WC dito químico, entra outro aflito para o meu lugar. Imagino que o gajo pensou: “Este cab&%# cagou isto tudo”, mas a culpa não foi minha…

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De volta à corrida já com esta definitivamente estragada, mas bem mais leve apesar de ainda com um incómodo no intestino, tentei recuperar o ritmo que levará até aos 30 Km. Se lá conseguisse chegar de novo, ainda terminaria a prova com menos de 4h00, o que não sendo bom, seria uma boa marca com tanta peripécia pelo meio. O relógio aponta novamente 5:11/km de ritmo, mas a tripa começa a dar novamente sinal agraste. Abrando o ritmo e a tripa abranda o seu sinal comigo. Andámos os dois neste jogo por mais uns quilómetros, mas sempre que bebia mais águas, as cólicas aumentavam de novo, e decidi que a tripa vencesse esta batalha, mas não iria de certeza vencer a guerra. Anuí em baixar o ritmo para níveis que nem tinha pensado antes da prova, cheguei mesmo a parar por 4 ou 5 vezes para fazer alguma ginástica abdominal, mas fui correndo até ao final. Chegado ao fim do quilómetro 41, cancelei todas as negociações que existiram até então com a tripa, e acelerei até à meta, terminando os 200 metros finais já na pista do Estádio Olímpico com um sprint forte para mostrar à tripa quem é que manda. No final terminei com 4h02:20, descontando os cerca de 7 minutos que estive na box, daria um tempo líquido na casa das 3h55 o que face às circunstâncias nem foi mau.

Resultados parciais e final


Em resumo e mesmo com esta casualidade menos boa, foi uma boa corrida, muito animada, com público a assistir, a aplaudir e a incentivar os atletas do início ao fim da prova, e que continua com uma relação qualidade/preço muito muito boa, face a toda a organização com que somos presenteados.

Não correndo o risco de me esquecer de alguém, quero agradecer e dar os parabéns a todos aqueles com que partilhei treinos e momentos na preparação para Sevilha e que estiveram igualmente este Domingo em Sevilha para correr ou só para acompanhar outros atletas. Um abraço especial ao Camané, ao João Veiga e ao Pedro Pisco, que cumpriram mais uma jornada com tempos canhão, com 3 horas e 7, 14  e 20 respectivamente.



Continuação de bons treinos e de boas corridas!!!



Next stop: 50 Km do Ultra Trail do Piodão

Esmiuçar o Strava


No mundo dos softwares para acompanhar/monitorizar as actividades desportivas, há tantas opções e alternativas que é muito difícil estabelecer um termo de comparação fidedigno e objectivo para escolher “o” software. Há tempos atrás e após experimentar uma meia dúzia de softwares, optei, assim como muitos outros amigos, por utilizar a aplicação “Strava”. Como todas as aplicações o Strava tem pontos fortes e menos fortes, mas para o tipo de utilização e análise de dados que faço dos meus treinos e corridas, é das aplicações gratuitas, aquela que melhor se enquadra no meu perfil de utilizador. Fácil utilização, graficamente intuitivo e fácil análise e interpretação dos dados, são alguns dos pontos fortes desta aplicação.
A página inicial do meu perfil no Veloviewer
Hoje descobri um add-on de outro fabricante, igualmente gratuito, que trabalha sobre os dados que importamos para o Strava: o Veloviewer. Esta aplicação é o sonho de quem gosta de esmiuçar até às entranhas mais profundas os seus treinos e corridas. São tantas as opções de análise, comparação, visualização numérica e gráfica, perfis, mapas, que esta aplicação permite, que se tornaria demasiado exaustivo apresenta-las e explica-las aqui. 
Portanto a minha recomendação é: se gostam de analisar, comparar, esmiuçar toda a informação do vosso treino, seja apenas por curiosidade seja para perceber como melhorar no futuro, experimentem o Veloviewer e divirtam-se.
Continuação de bons treinos e de boas corridas!!!

T-shirts de Compressão ao preço da chuva

Hoje, depois do Treino do Gang Portugal Running, passei na loja Lidl da Alta de Algés para fazer umas compras, e encontrei lá um caixote cheio de t-shirts de compressão da Skin Compression a 4,98 €. O modelo é de 2011, a embalagem não diz qual o nível de compressão da t-shirt pelo que não faço ideia se é tão boa como as actuais ou de marcas mais conhecidas, (na pesquisa rápida que efectuei na internet também não encontrei nenhuma informação sobre isto), mas por 4,98 € comprei uma para experimentar  Se vos interessar já sabem onde têm de ir.

Não sei se há apenas nesta loja ou se existe em outras da mesma cadeia. Aqui há duas cores disponíveis, preto e azul.

Continuação de bons treinos e de boas compras!!! 🙂

Maratona de Sevilha 2014 – Está quase

Há um ano atrás imperava por aqui uma espécie de ansiedade. Faltava pouco menos de uma semana para a estrei numa Maratona, os treinos mais longos tinham corrido bem mas sem ultrapassar os 34 Km, e a vontade para terminar os 42 Km e fazer uma boa prova era mais do que muita.
Em 2013 na minha estreia na Maratona, foi assim 🙂
Este ano irei repetir de novo a Maratona de Sevilha, mas consciente de que a preparação para esta prova não foi a mais adequada. Razões de ordem diversa motivaram que os treinos para esta prova não fossem os melhores, e assim o objectivo inicial de treinar para correr os 42 Km em menos de 3h30 está completamente posto de parte. Vai ser uma prova em ritmo de passeio, sem a “pressão” de correr para bater recordes pessoais, e no fim logo se verá o resultado. Mais depressa ou mais devagar uma coisa será certa, irei desfrutar o percurso e divertir-me bastante durante a corrida.


A todos os amigos, e são muitos, que também vão à Maratona de Sevilha, desejos de muito boa sorte e divirtam-se!!! 😉

TOP do Mês ACCVCAVI – Janeiro 2014

E eis o primeiro TOP ACCVCAVI do Ano. Foram cinco as semanas que entraram para as contas do TOP de Janeiro, de 30/12/2013 a 2/2/2014.

Foi um mês cheio de actividade, onde os 65 atletas que contribuíram com mais de 0 Km para este ranking, correram no total o bonito número de 11.169,10 Km. Imaginem agora se os oito atletas que também pertencem ao grupo e não mexeram uma palha nestas cinco semanas tivessem corrido alguma coisa, qual o número fantástico de quilómetros que teríamos atingido!!!

Os três fantásticos atletas que mais contribuíram para estes mais de 11000 Km, merecem todo o destaque no pódio deste mês e foram: Joost De Raeymaeker, João Vargas e Ricardo Cabo.
O Joost, entre viagens e corridas por três países diferentes, conseguiu o terceiro lugar do pódio com 387,4 Km corridos. O Vargas, que já levava nas pernas mais de 150 dias consecutivos a correr diariamente, contribuiu com 469,5 Km e recebe assim a prata deste mês. No topo do pódio e o merecidíssimo ouro do mês, está o fantástico Ricardo Cabo que contribuiu com 607,1 Km. Números impressionantes os destes três atletas!!!
O prémio Red Bull Dá-te Asas, sem qualquer patrocínio da referida bebida, foi este mês disputadíssimo, sendo a diferença entre os dois primeiros classificados de apenas 1 segundo!

As Asas de Bronze vão para o excelente João Soares, que correu 331,8 Km à media de 4:28/Km; As Asas de Prata vão para o Joost que correu 387,4 Km à média de 4:17/Km; e as Asas de Ouro vão este mês para o Ricardo Cabo que correu os 607,1 Km à média de 4:16/Km. Este homem arrisca-se a ser multado por excesso de velocidade nos seus treinos!!! É igualmente um grande feito, o Ricardo ter destronado o Joost deste prémio que era seu desde que ele existe. Esperamos uma luta renhida nos próximo meses…

No que diz respeito aos trepadores, os prémios da montanha foram para: Montanha de Bronze, com 8032 metros trepados, Nelson Diogo. Montanha de Prata, com uns fantásticos 8835 metros trepados, Vítor Capelas. E o grande prémio Montanha de Ouro de Janeiro, com  uns espectaculares 9534 metros trepados, o Paulo Taboas. Parabéns a todos!!!

O TOP feminino ficou este mês arrumado do seguinte modo: com menos de meio mês de participação mas com muita aplicação, a Sofia Roquete ainda chegou ao Bronze com 96,6 Km corridos. A Prata vai para a Bo Irik com 133,3 Km corridos este mês. E o Ouro de Janeiro, com 179,6 Km corridos, vai para a fantástica Susana Vilaça. Parabéns a estas excelente atletas.

Uma Menção Honrosa para a Sofia Roquete, que completou durante este mês os difíceis 47 Km dos Trilhos dos Abutres, em 7h50, que é um fantástico resultado. Parabéns!!!

Não podia esquecer o tão desejado prémio de Coxo do Mês, que em Janeiro vai com todo o merecimento para o meu amigo e pai do nome deste grupo “Ai Cristo Cristo Vem Cá Abaixo Ver Isto”, Alexandre Perdigão, que correu (ou diria antes arrastou-se) em Janeiro na espectacular distância de 6,9 Km!!!

No próximo mês há novo TOP. Bons treinos para todos e lutem com afinco pelos lugares cimeiros, como diz a publicidade: quem corre 2 um dia corre 42 😉


O último grande teste antes do UTSM

Está definido o plano de treinos em modo competição, para preparação para o Ultra Trail de São Mamede.


São duas as provas em que irei testar a força nas pernas e na cabeça antes da grande aventura do UTSM:
  • Primeiro os 50Km do Ultra Trail do Piodão;
  • E a seguir os 105Km (em três dias) do Carlos Sá – Gerês Trail Adventure.

Se este último desafio for concluído com sucesso, estou convicto que a participação no UTSM será tranquila.

O Carlos Sá – Gerês Trail Adventure contará com duas equipas ACCVCAVI que na realidade serão só uma, eu, o João Vargas, o Rui Alegre e o Hugo Fragoso, iremos tentar completar este desafio levando connosco todo o espírito de entreajuda necessário a que os quatro cheguem ao fim com os 105 Km nas pernas.


Até lá ainda falta correr a Maratona de Sevilha cuja preparação tem sido cheia de percalços.
Ainda assim, mais depressa ou mais devagar, Sevilha será um passeio tranquilo e certamente mais rápido que a estreia do ano passado.

Continuação de bons treinos e boas provas!!!