Gosto de coincidências

Gosto de coincidências. Dia de treino leve, em modo relax e envolto nos meus pensamentos. O vento sente-se e o mar está picado. As pranchas de bodyboard invadem a praia de Paço de Arcos e tenho inveja dos que estão dentro de água. Corro e dou por mim no pontão da Marina de Oeiras. 

Marina de Oeiras (Pontão)

Penso nisto e naquilo e vem-me de novo ao pensamento a água e o quanto me apetecia dar um mergulho. Uma onda galga o pontão e dá-me um banho de cima abaixo. Gosto de coincidências. Continuo a minha corrida a rir-me sozinho. Confirmo, a água estava boa e o banho soube-me bem.

Track do treino taper #5 em modo relax disponível aqui.

Bons treinos e melhores corridas!!!

A importância do período de "Tapering"!

A propósito da participação em mais uma maratona, neste caso a de Lisboa já no próximo dia 6 de Outubro, partilho aqui um excelente texto do meu amigo Carlos Caetano sobre o período de descanso necessário antes de uma prova importante: o período de “tapering”.



Leiam então com atenção:

Infelizmente não há um termo português a dar a isto. O “Tapering” é um termo utilizado em desportos de resistência e consiste simplesmente em reduzir a carga de treino do atleta antes de uma corrida importante. Isto porque se chegou à conclusão que um período de descanso forçado antes de uma corrida aumenta significativamente o nível de condicionamento físico de atleta e aumenta o seu desempenho em cerca de 3%. Para os corredores de uma maratona, estes 3% podem-se traduzir em ser cerca de 5-10 minutos mais rápidos nessa distância.

A explicação bioquímica para a redução gradual é que, ao proporcionar descanso ao corpo, pode-se recuperar do choque de semanas e meses de treinos duros e, desta forma, ter mais hipóteses para um desempenho de topo. O treino pesado realizado pelo atleta antes da corrida agride e esgota o seu corpo, reservas de glicogénio e hormonas, prejudicando a resistência natural e causando danos musculares subtis. O período de “taper” permite que o corpo reponha todas essas reservas e repare os tecidos musculares, para que possa estar alinhar na linha de partida totalmente recuperado e na sua forma ideal.

Para a maior parte dos corredores, um período de redução gradual pode durar entre 10 a 21 dias, dependendo da duração da corrida – quanto maior a corrida, mais tempo de “taper”. Durante este período, o corredor deve diminuir a sua quilometragem semanal entre 30% a 85%. Embora alguns sugiram uma diminuição gradual no volume de treino, um estudo científico realizado em 1999 mostrou que, durante 14 dias, uma diminuição rápida da quilometragem em 50% durante os primeiros três dias, seguida de 75% nos outros três dias e continuado num constante decréscimo nos últimos oito dias, resulta numa melhor performance na corrida. Também foi demonstrado que, ao contrário da crença normal, a corrida durante o período de redução gradual deve ser feita em alta intensidade. Treinos intervalados em ritmo de corrida de 5K e ritmos rápidos são aconselhados.

Bons treinos e melhores corridas!!!…

Quantos minutos valem 20 dias de paragem?

Arrisco-me a dizer que tal como as cartas de amor, todas as lesões são ridículas.

E também eu tive uma lesão ridícula. (No tíbiocoiso que é como quem diz no músculo tibial anterior).

Tão ridícula que é esta lesão que me “obrigou” a suspender os treinos por 20 dias.

No Treino Temático de homenagem a Fernando Pessoa.
Parecem ridículos (os 20 dias), mas a meio da preparação para uma maratona eu é que fiquei ridículo com cada treino perdido.

É a ridícula diferença entre ambicionar correr os 42195 metros em 3h30 e agora ter de esforçar-me o suficiente para os correr em menos de 4 horas.

Parece ridículo, mas acreditem que nos 42 Km faz toda a diferença corrê-los a 5:40/Km ou a 4:58/Km.

Completei há pouco o primeiro treino pós lesão sem qualquer dor durante a corrida. Apesar da má “forma” foi uma sensação ridícula de felicidade.

Faltam 20 dias para a maratona de Lisboa e é com urgência (ridícula) que vou tentar recuperar uma parte da forma perdida.

A verdade é que hoje as minhas memórias dessa lesão é que são ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Nota: O treino ridículo de hoje está disponível aqui.


Bons treinos e melhores corridas!!!

São João das Lampas agridoce

A 37ª Meia Maratona de São João das Lampas que decorreu no passado Sábado, teve para mim um sabor agridoce.
O Perdigão em grande estilo a bater o seu recorde nos 21Km
Por um lado ainda não estava ainda a 100% recuperado da minha lesão o que me levou a abandonar a prova aos 11 Km, por outro lado consegui reunir um grupo de amigos para correr sob o nome da equipa ACCVCAVI, o que resultou numa participação muito honrosa e divertida.
Antecipadamente já sabia que ainda não me encontrava 100% recuperado da minha lesão, estaria, digamos, a 95%, pelo que, apesar de não gostar de desistir de nada, estava preparado para o fazer caso essa se revelasse a melhor opção. O objectivo continua a ser a Maratona de Lisboa e São João das Lampas era apenas mais uma etapa na preparação.
Foi com esta convicção que me dirigi para a partida da prova, onde para além dos 8 atletas que representaram a ACCVCAVI, estavam dezenas de amigos do Portugal Running e de outras equipas.

Iniciada a corrida, a minha ideia era tentar perceber até onde a dor na canela poderia ou não impedir concluir a prova num tempo aceitável, o que para mim e na condição de lesionado seria um ritmo entre os 5:30-5:40/Km. Os primeiros 5 Km foram relativamente tranquilos e consegui manter este objectivo, as subidas eram feitas a bom ritmo e a canela não importunava muito. O pior foi quando começou a descer! As descidas custavam muito mais, a canela não me permitia acelerar e tinha de abrandar para um ritmo acima dos 6:00/Km o que a descer é sempre um contrassenso. A dor na canela fazia-se sentir ainda que longe de ser insuportável, mas às páginas tantas dei por mim a pensar, inconscientemente, em modos de passada que minimizassem todo o impacto e a dor que me acompanhava… Quando tomei consciência deste pensamento, não tive dúvidas que o melhor seria parar por ali de modo a não agravar a lesão ou, pior do que isso, arranjar outra noutra zona diferente do corpo. E assim perto do Km 11, sabendo as subidas e descidas que ainda faltavam para o final, tomei a difícil decisão de desistir da corrida e ir a pé os cerca de 2 Km que faltavam até São João das Lampas.
Uma desistência seja em que circunstância for tem sempre um sabor amargo, mas fico com a esperança que a Maratona de Lisboa possa oferecer um sabor bem doce para compensar este.

Na perspectiva da prova ACCVCAVI, este terá sido um dia histórico. Nove participantes na equipa: eu e o Alexandre como fundadores deste grupo de amigos, e depois o Joost, o Almeida, o Afonso, o Hugo, o Ricardo, o Nuno Lopes e o Miguel Loureiro que substituí-o à última hora o meu amigo Luís Sousa. Cada um de nós tinha as suas expectativas, desde terminar a fazer o melhor possível abaixo das 2h00, à excepção do Joost e do “Canhão” Afonso pertencem claramente a outro nível e iriam correr para fazer um muito bom tempo, algo abaixo da 1h30.

Cinco dos ACCVCAVI: Joost, Alexandre, eu, Almeida e Ricardo


No final os resultados ACCVCAVI foram:

Duas desistências – a minha e a do Nuno Lopes igualmente lesionado;

Ricardo Ribeiro – 2h12’3’” na sua estreia na distância da Meia Maratona, um excelente 
resultado nesta prova de dificuldade elevada, Parabéns!!!

Hugo Fragoso – 2h10’51” um bom tempo para quem anda a treinar para a Maratona do 
Porto, Parabéns!!!

Miguel Loureiro – 2h10’32” um tempo dentro daquilo que eram as sua expectativas, 
Parabéns!!!

Alexandre Perdigão – 1h55’53” a bater o seu record nesta distância e a revelar que se está 
a preparar bem para a Maratona de Lisboa, Parabéns!!!

Nuno Almeida – 1h42’46” igualmente um excelente resultado, Parabéns!!!

João “Canhão” Afonso – 1h31’17” sempre a muito bom ritmo e mais um grande resultado, 
Parabéns!!!

E por fim a “Estrela da Companhia” o Joost de Raeymaeker com o estonteante tempo de 1h21’52”, tinha o turbo ligado e ninguém o apanhava, Parabéns!!!
Parabéns Joost de Raeymaeker! O nosso homem turbo…

Só faltaram ao grupo o meu amigo Camané, que terminou com 1h33’39” e desta vez correu como individual, uma falha que em próximas provas iremos colmatar, e os “fundadores coxos”: João Vargas que anda a banhos lá mais para sul, e o Bruno que continua atrás das ovelhas lá mais para norte.

Por fim dois comentários para a organização:

Um abraço e os parabéns ao Fernando Andrade por conseguir organizar uma prova com este nível com os recursos sempre reduzidos de que dispõe;

Os votos de melhoras para a Xistarca, que ao nível da cronometragem e classificações continua a revelar as falhas de sempre, com atletas que não aparecem na classificação, nomes e tempos trocados, etc., etc..

Findas as hostilidades desportivas, houve tempo para um magnífico churrasco organizado pelo pessoal do Portugal Running, com tudo a que tínhamos direito. Obrigado Henriqueta, Alberto e João.


Para o ano espero ter melhor sorte e poder concluir mais uma vez esta prova cheia de subidas e descidas, mas que faz o encanto de todos os atletas.

Bons treinos e melhores corridas!!!

Resumo do mês de Agosto

Agosto foi um mês para esquecer!… 

Treino na Serra da Arrábida
Dos cerca de 320 Km previstos para o mês de Agosto, apenas consegui correr pouco mais de 165 Km. A primeira quinzena serviu para dar um pouco de descanso às pernas, mas tinha previsto uma segunda quinzena com treinos à seria para preparar convenientemente as maratonas de Lisboa e Porto que se avizinham. Infelizmente uma pequena lesão no músculo tibial anterior, que só agora está perto de debelar, deitou todos os meus planos por água a abaixo, e não me permitiu treinar durante duas semanas. Como consequência principal, terei de redefinir os meus objectivos para a Maratona de Lisboa: tinha previsto correr esta maratona para perto das 3h30, mas com este contratempo irei correr para a terminar e se possível fazer menos de 4h. Será uma maratona ao estilo de um treino longo e transfiro assim os objectivos de Lisboa, e se entretanto conseguir recuperar a forma perdida, para a Maratona do Porto.

Mesmo com contratempos ainda consegui fazer dois treinos interessantes no mês de Agosto:

  • Um treino longo de 41Km pela Serra da Arrábida, que serviu como iniciação ao (light) Trail, e que corri na companhia, entre outros, do Paulo Pires que à data estava a fazer os últimos treinos antes da sua participação no UTMB. Foi um treino forte, onde fiquei sem água a cerca de 10Km do fim, e que por esse motivo se veio a revelar algo penoso de terminar. Ainda assim gostei bastante da experiência e brevemente espero voltar de novo à serra.

Alguns dos companheiros no treino pela Serra da Arrábida

  • Um treino de preparação para São João da Lampas, com rampas e mais rampas para subir a um ritmo forte, onde corri cerca de 22Km. Foi um bom treino, organizado pelo Miguel Pinho, e com uma participação numerosa de pessoal muito bem-disposto.


Treino de preparação para a MM de São João das Lampas
Para a história os números do mês de Agosto:
• Contagem: 12 Treinos
• Distância percorrida: 167,14 km
• Tempo: 16:51:09 h:m:s
• Ganho de elevação: 2370 m
• Velocidade Média: 9,9 km/h
• Ritmo Cardíaco Médio: 141 bpm
• Calorias Gastas: 12558 Cal
Agosto foi para esquecer, mas venha agora a Meia Maratona de São João das Lampas já no próximo Sábado. Vai ser o meu primeiro verdadeiro teste pós lesão, pelo que o ritmo vai ser moderado e sem grandes aventuras. Ainda assim será para bater o meu PB 🙂
A equipa ACCVCAVI deverá contar com 9 atletas nesta prova, um verdadeiro recorde de participações!!!
  

Bons treinos e melhores corridas!!!